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A evolução da inteligência artificial no agro e indústria brasileira

Elizeu dos Santos 22/01/2026
A evolução da inteligência artificial no agro e indústria brasileira

Durante muito tempo, a inteligência artificial (IA) foi vista apenas como uma promessa distante. Hoje, ela faz parte do dia a dia das fábricas e do campo, impulsionando eficiência, reduzindo custos e apoiando práticas mais sustentáveis. Se observarmos de forma mais aprofundada, podemos notar o quanto essa tecnologia, aliada a um bom direcionamento humano, transforma processos simples e complexos, impactando diretamente na produtividade e na qualidade de diversas etapas produtivas.
 

O Brasil é um país com forte presença agrícola e industrial. A expectativa é de que haja uma safra recorde de grãos no país para o ciclo de 2025/2026, com 353,1 milhões de toneladas, um aumento de 0,3% em relação à safra anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em meio a essa demanda, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e assume papel estratégico.
 

Nas fábricas, sistemas de reconhecimento comparam em tempo real imagens de peças recém-montadas com o projeto original, identificando falhas ou componentes ausentes. Isso reduz o tempo gasto em inspeções manuais, diminui custos de retrabalho e aumenta a confiabilidade da produção. Algoritmos de manutenção preditiva antecipam falhas antes que causem paradas não planejadas, garantindo maior segurança e evitando prejuízos.
 

A Indústria 4.0 integra tecnologias digitais e processos produtivos: sensores conectados e análise de dados em larga escala permitem monitorar a linha de produção, prever falhas e realizar ajustes antes que problemas ocorram. Gêmeos digitais, que são réplicas virtuais de fábricas e máquinas, viabilizam simulações sem interromper a operação real. Robôs colaborativos dividem espaço com operadores humanos, enquanto algoritmos de machine learning otimizam fluxos e reduzem desperdícios. Temos também a Impressão 3D, que permite fabricar peças complexas com menos material e maior agilidade.
 

A conectividade 5G, integração de softwares de gestão e computação em nuvem garantem acesso remoto às informações e respostas rápidas. A cibersegurança se torna prioridade para proteger dados estratégicos e evitar paradas. Modelos de IA também otimizam o fluxo de materiais dentro das plantas, ajustando a produção conforme a demanda e aumentando a eficiência da cadeia de suprimentos.
 

Já no campo, a IA torna a agricultura de precisão prática e eficiente. Pulverizadores com imageamento em tempo real identificam plantas indesejadas e aplicam defensivos de forma localizada, reduzindo desperdícios. Sistemas de orientação automática diminuem sobreposições de 30 cm para cerca de 5 cm, enquanto o Section Control ajusta automaticamente a aplicação de fertilizantes, eliminando lacunas e minimizando excessos.
 

Tecnologias digitais facilitam o registro de tarefas, análise de dados e planejamento de manutenção, permitindo otimizar recursos, reduzir esforço do operador e aumentar rendimento e sustentabilidade. Mais do que otimização, a IA redefine o papel do agricultor: de executor para gestor de inteligência, tomando decisões baseadas em dados em tempo real.
 

A revolução silenciosa da inteligência artificial não se limita à indústria ou ao campo. Ela redefine o modelo produtivo do Brasil, mostrando que eficiência, inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas. O desafio agora é ampliar o acesso a essas tecnologias para que diferentes produtores possam usufruir dos benefícios de uma agricultura cada vez mais inteligente e competitiva.

 

*Elizeu dos Santos é especialista em agronegócio e gerente de Marketing de Produto da Valtra e Fendt.