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Exercícios de alto impacto podem agravar doenças oculares

A Degeneração Macular Relacionada à Idade e a Retinopatia Diabética Proliferativa são dois exemplos de enfermidades que exigem cautela na escolha da atividade física

Sig Eikmeier 22/01/2026
Exercícios de alto impacto podem agravar doenças oculares
- Foto: Freepik

Com o avanço da idade, fazer exercícios contribui para a pessoa manter a autonomia, a independência e a qualidade de vida. A atividade física melhora o equilíbrio, a mobilidade, fortalece os músculos e os ossos, além de contribuir para o humor e a socialização. No entanto, para ter um envelhecimento saudável, é fundamental escolher modalidades que sejam seguras, de acordo com as condições físicas e de saúde do indivíduo.

“Na área de saúde ocular, duas doenças que exigem cuidados específicos, especialmente ao realizar atividades físicas, são a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e a Retinopatia Diabética Proliferativa (RDP). Os pacientes devem evitar os exercícios de alto impacto, que exijam muito esforço ou que coloquem a pessoa em posição invertida, pois oferecem risco para a visão”, alerta o Prof. Dr. Michel Farah, oftalmologista do H.Olhos Unidade CEOSP, da rede Vision One.

A DMRI pode se apresentar na forma seca, que é a mais comum e avança de forma lenta, e na forma úmida, caracterizada pelo crescimento anormal de vasos sanguíneos no olho e considerada mais grave. A doença afeta a mácula, parte central da retina, responsável pela visão em detalhes, essencial para a leitura, reconhecimento de rostos e de cores. A pessoa percebe uma mancha escura ou vazia no centro da visão e as linhas retas parecem onduladas.

Já a RDP é uma forma mais avançada e grave de Retinopatia Diabética, complicação do diabetes que fragiliza e danifica os vasos da retina, uma fina camada de tecido localizada no fundo do olho. Quando a doença chega nesta fase, a falta de oxigênio propicia a formação de novos e frágeis vasos sanguíneos que podem romper e sangrar ou causar descolamento de retina. Os principais sintomas são moscas volantes, flashes de luz, embaçamento ou perda súbita de visão.

O Prof. Dr. Michel Farah chama a atenção para algumas práticas que devem ser evitadas por quem possui o diagnóstico dessas doenças:

- Esportes de alto impacto e choque, como boxe e lutas, ou com uso de bola, como futebol e basquete;

- Musculação pesada envolvendo levantamento de peso com cargas elevadas ou exercícios de força em que é preciso prender a respiração;

- Posições Invertidas na Yoga em que a pessoa é mantida com a baixa para baixo,

- Atividades em altitudes elevadas ou com pressão diferente, como montanhismo e mergulho.

A boa notícia, de acordo com o médico, é que “o exercício físico moderado melhora a circulação sanguínea. Uma boa opção são as atividades aeróbicas de baixo impacto, como caminhada, ciclismo em terreno plano, natação com óculos folgados e dança, pois auxiliam na oxigenação dos tecidos oculares. É importante que a escolha seja feita em conjunto com o especialista, para que o paciente seja orientado sobre todos os cuidados necessários”.

A DMRI e a RDP estão entre as principais causas de cegueira e o diagnóstico precoce é crucial para retardar a progressão das duas doenças, que podem evoluir sem causar sintomas iniciais. O envelhecimento aumenta o risco, por isso é recomendado que a partir dos 40 anos a pessoa realize exames de rotina pelo menos uma vez por ano e que agende uma consulta com o oftalmologista sempre que perceber qualquer alteração na visão.