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Polícia apoiada pela Interpol realiza quase 200 prisões em operação contra garimpeiros na região da Amazônia

STEVEN GRATTAN, Associated Press 22/01/2026
Polícia apoiada pela Interpol realiza quase 200 prisões em operação contra garimpeiros na região da Amazônia
Esta imagem fornecida pela Interpol mostra um local de mineração ilegal de ouro em 18 de dezembro de 2025, na região de Upper Takutu-Upper Esequibo, na Guiana - Foto: Interpol via AP

BOGOTÁ, Colômbia (AP) — Policiais e promotores do Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname prenderam quase 200 pessoas em sua primeira operação conjunta transfronteiriça contra a mineração ilegal de ouro na região amazônica , disseram as autoridades nesta quinta-feira.

A operação contou com o apoio da Interpol — a agência internacional de cooperação policial que auxilia as forças de segurança de diferentes países a compartilhar informações e coordenar investigações — bem como da União Europeia e da polícia holandesa especializada em crimes ambientais. Realizada em dezembro, a operação envolveu mais de 24.500 verificações em veículos e pessoas em áreas remotas de fronteira e resultou na apreensão de dinheiro, ouro bruto, mercúrio, armas de fogo, drogas e equipamentos de mineração, informou a Interpol.

Entre os detidos, estavam três homens presos na Guiana sob suspeita de contrabando de ouro e lavagem de dinheiro, após a apreensão de ouro bruto e cerca de US$ 590.000 em dinheiro. Os investigadores disseram acreditar que os suspeitos fazem parte de um grupo criminoso organizado e podem ter ligações com uma grande empresa exportadora de ouro na Guiana.

A mineração ilegal de ouro tornou-se um dos principais motores do desmatamento e da poluição dos rios na Amazônia, contaminando os cursos d'água com mercúrio tóxico e danificando terras das quais dependem as comunidades indígenas. Nos últimos anos, essa atividade se expandiu rapidamente à medida que os preços globais do ouro atingiram patamares próximos aos recordes históricos, levando os garimpeiros a se aventurarem cada vez mais em regiões florestais remotas e transformando o ouro em uma das commodities mais lucrativas para o crime organizado que opera além-fronteiras.

“A mineração ilegal de ouro está crescendo rapidamente e causando sérios danos ao meio ambiente e às comunidades locais, especialmente em áreas remotas e frágeis”, disse o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, em um comunicado.

As autoridades também apreenderam cilindros de mercúrio avaliados em mais de US$ 60.000 na Guiana e no Suriname. O mercúrio é comumente usado na mineração ilegal de ouro para separar o metal de outros materiais, mas é altamente tóxico e pode contaminar rios, animais selvagens e pessoas. A Interpol informou que o mercúrio estava escondido dentro de painéis solares e foi transportado de ônibus.

A polícia da América do Sul realizou verificações coordenadas ao longo das fronteiras compartilhadas, incluindo inspeções em ambos os lados dos rios que separam os países. Os agentes revistaram veículos, barcos e pequenas lojas ribeirinhas que vendem combustível, ferramentas e outros suprimentos comumente usados ​​na mineração ilegal. Algumas dessas lojas são suspeitas de auxiliar no contrabando de ouro e mercúrio através das fronteiras.

Durante a operação, a polícia também apreendeu medicamentos falsificados, álcool e cigarros avaliados em mais de US$ 40.000, além de bombas de mineração, esteiras usadas para coletar ouro, armas de fogo e telefones celulares.

As autoridades informaram que agentes interceptaram um ônibus que transportava imigrantes sem documentos, incluindo vários menores. Algumas das crianças são suspeitas de serem vítimas de trabalho forçado ou exploração sexual, o que evidencia o impacto humano das redes de mineração ilegal.

A Interpol afirmou que a operação, conhecida como Operação Escudo da Guiana, representou um avanço significativo na cooperação entre os países da região amazônica, onde a densa floresta tropical, as longas distâncias e as fronteiras permeáveis ​​dificultam há muito tempo o combate à mineração ilegal.