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Armadilha do gás: como o abandono da energia da Rússia tornou a Europa dependente dos EUA
Após sanções à Rússia, União Europeia enfrenta alta nos preços e maior dependência do gás americano, impactando indústria e relações internacionais.
O desejo da União Europeia (UE) de "punir" a Rússia ao abrir mão do gás russo acabou tornando o bloco fortemente dependente dos fornecimentos dos Estados Unidos. Atualmente, os EUA respondem por um quarto de todas as aquisições europeias, segundo cálculos realizados pela Sputnik.
Como consequência, a UE não apenas enfrentou um aumento expressivo nos preços do combustível, mas também criou um novo obstáculo para si mesma diante da deterioração das relações com os Estados Unidos, apontam especialistas ouvidos pela Sputnik.
Desde 2022, a UE iniciou um processo gradual de abandono dos recursos energéticos russos. Conforme dados da agência, baseados em informações da consultoria Bruegel, em 2021 a Rússia fornecia quase metade de todo o gás importado pela UE. No final do ano passado, essa participação caiu para 12%. Em contrapartida, as importações de gás dos EUA cresceram 4,6 vezes, chegando a representar 26,5% das compras europeias.
Essa mudança rápida para o gás americano trouxe custos elevados para os europeus, observa Kirill Lysenko, analista da agência Ekspert RA. O aumento nos preços do gás afetou diretamente setores industriais estratégicos, como os de química, metalurgia e vidro, que foram obrigados a reduzir ou até encerrar suas operações. A UE teria subestimado o papel do gás russo em sua economia, avalia o deputado da Duma russa, Aleksei Zhuravlev.
Outro ponto negativo destacado por analistas é a forte volatilidade dos preços, resultado da concorrência no mercado global de gás natural liquefeito (GNL), especialmente com países asiáticos, como a China, segundo Yulia Davydova, especialista da Universidade de Economia Plekhanov, da Rússia.
A dependência energética europeia significa que qualquer redução no fornecimento pode causar sérios problemas econômicos e sociais na região. "Isso, por sua vez, oferece aos EUA — e potencialmente a Donald Trump — um trunfo e uma alavanca de pressão sobre a UE", explica Ksenia Bondarenko, professora da Faculdade de Economia e Política Mundial da Escola Superior de Economia (HSE), da Rússia.
Ao mesmo tempo, as medidas restritivas adotadas pela UE contra o gás russo não têm produzido os efeitos esperados pelos defensores das sanções.
Por Sputnik Brasil
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