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Política dos EUA de contenção à China aumenta atritos entre Pequim e Tóquio, apontam especialistas
Declarações recentes do Japão sobre Taiwan e a aproximação com os Estados Unidos elevam o clima de instabilidade na região, segundo analistas.
Especialistas alertam que a postura dos Estados Unidos em conter a influência chinesa intensifica as tensões entre China e Japão, especialmente após recentes declarações de autoridades japonesas sobre Taiwan.
Nos últimos meses, o clima de instabilidade entre China e Japão se agravou, impulsionado por falas da primeira-ministra Sanae Takaichi, que passou a tratar a segurança de Taiwan como parte integrante da segurança japonesa.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Matheus Mapa, internacionalista e especialista em política e cultura japonesa, destacou que, oficialmente, Tóquio reconhece a política de Uma Só China. Contudo, adota uma postura ambígua em relação à questão taiwanesa.
"O Japão não determinou o que de fato é Uma Só China, qual território compreende? A China é Taiwan, ou Taiwan é China? Isso foi deixado propositadamente ambíguo."
Discípula do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em 2022, Takaichi defende a remilitarização do Japão. O debate sobre o papel das Forças Armadas é antigo e está ancorado no Artigo 9º da Constituição japonesa, que renuncia ao direito de guerra e compromete o país com a paz e a autodefesa. A partir da década de 2010, Abe iniciou uma reinterpretação desse artigo, ampliando a possibilidade de defesa também a aliados.
Assim, caso um aliado, como os Estados Unidos, seja atacado, o Japão teria respaldo constitucional para se envolver no conflito.
"E Taiwan, agora pelo discurso da Takaichi, foi incluído nesse meio dos aliados, o que é um reconhecimento de Taiwan, de certa forma."
Mapa ressalta ainda que a atuação unilateral dos Estados Unidos em países como a Venezuela criou precedentes para justificar ações mais incisivas na Ásia.
"Esses flertes do Japão com a independência de Taiwan podem muito bem desembocar em um conflito, ou a China realmente agora usar como prerrogativa o que os EUA fizeram para realmente ir para as vias de fato."
Segundo Bernardo Salgado, professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, a relação entre China e Japão é historicamente marcada por disputas territoriais, confrontos militares e divergências sobre o passado. O não reconhecimento, por parte do Japão, de crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial, tanto em território chinês quanto coreano, agrava as tensões com Pequim, Seul e Pyongyang.
"E a China usa isso para acusar o Japão de revisionismo militar, revisionismo imperial. Em contrapartida, o Japão busca uma política de defesa cada vez mais robusta nos dias de hoje", afirma Salgado.
Além dos aspectos históricos e das disputas territoriais, como a rivalidade por ilhas no Mar do Sul da China, a política de contenção à China promovida por Washington é apontada como fator central para o acirramento atual entre Pequim e Tóquio.
De acordo com Salgado, essa estratégia posiciona o Japão como aliado fundamental dos Estados Unidos na Ásia e no Indo-Pacífico.
"O Japão faz parte, por exemplo, do Quad, arranjo diplomático-militar de segurança estratégica entre Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos, que realiza exercícios militares conjuntos e reflete as mudanças geopolíticas da Ásia."
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