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Ouro dispara mais de 3% e atinge novo recorde com tensão entre Trump e Europa

Commodity ultrapassa US$ 4.700 pela primeira vez, impulsionada por disputa entre EUA e União Europeia e busca por ativos seguros.

20/01/2026
Ouro dispara mais de 3% e atinge novo recorde com tensão entre Trump e Europa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O ouro encerrou o pregão desta terça-feira, 20, com valorização superior a 3%, renovando seu recorde histórico ao atingir US$ 4.700 a onça-troy pela primeira vez. O movimento foi impulsionado pelo aumento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia, em meio à disputa pela Groenlândia, que estimulou investidores a procurarem ativos considerados mais seguros. A desvalorização do dólar também contribuiu, tornando metais preciosos mais acessíveis a detentores de outras moedas.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato de ouro para fevereiro avançou 3,71%, fechando a US$ 4.765,80 por onça-troy. A prata para março também teve forte alta, de 6,89%, cotada a US$ 94,63 por onça-troy, após atingir máxima histórica de US$ 95,78.

Segundo análise do Commerzbank, "a mais recente escalada do presidente dos EUA contra aliados provavelmente abalará ainda mais a confiança do mercado no dólar como porto seguro, levando investidores a buscar outros ativos". O banco alemão destaca o ouro como a principal escolha nesse contexto, por ser imune à influência de políticos e bancos centrais.

A tendência é confirmada pelo forte fluxo de entrada em fundos de índice (ETFs) de ouro. Dados do Conselho Mundial do Ouro apontam que, no ano passado, esses fundos receberam mais de 800 toneladas do metal, o segundo maior volume anual já registrado — atrás apenas de 2020, quando bancos centrais adotaram políticas monetárias expansionistas durante a pandemia. Apenas na última sexta-feira, o maior ETF de ouro do mundo registrou acréscimo de 11 toneladas em suas reservas, segundo o Commerzbank.

O movimento ocorre em paralelo à saída de ativos americanos, motivada pelas crescentes tensões geopolíticas. Nesta terça, o fundo de pensão da Dinamarca anunciou a venda de títulos do Tesouro dos EUA, citando fragilidade nas finanças do governo americano.

Em contraste com o ouro, o Commerzbank observa que a prata tem registrado saídas de capital dos ETFs desde o início do ano, sinalizando realização de lucros. Entre outros metais preciosos, a platina para abril subiu 5,5%, negociada a US$ 2.450,00 por onça-troy, enquanto o paládio para março avançou 4,4%, a US$ 1.902,00 por onça-troy.