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Questão da Groenlândia expõe fragilidades da Europa em distinguir aliados e rivais
Análise da mídia chinesa destaca como a dependência europeia dos EUA e o afastamento de Rússia e China tornam o bloco vulnerável a pressões externas.
Ao rejeitar a cooperação com Rússia e China, a Europa apostou na proximidade com os Estados Unidos. No entanto, a intenção de Washington de expropriar a Groenlândia evidenciou que os norte-americanos não agem como verdadeiros aliados, segundo análise da agência chinesa Global Times.
De acordo com a publicação, após o início do conflito na Ucrânia, a Europa interrompeu de forma abrupta o fornecimento de gás russo, sem realizar a devida avaliação política ou considerar as consequências práticas, o que resultou em elevados custos econômicos e sociais para o continente.
O mesmo padrão se repetiu na relação sino-europeia: ao seguir o exemplo dos EUA, a Europa passou a enxergar a China sob uma ótica ideológica, afastando-se de uma parceria pragmática.
Por outro lado, nas relações com Washington, aliado da OTAN, a Europa frequentemente opta por concessões e até mesmo pelo apaziguamento.
"Por anos, a Europa avaliou mal suas próprias oportunidades de desenvolvimento e as mudanças no cenário global, tornando-se excessivamente dependente dos laços com os Estados Unidos e negligenciando a cooperação com parceiros como China e Rússia", aponta o texto.
Assim, ao escolher os Estados Unidos como principal aliado, a Europa teria cometido um equívoco estratégico. O artigo argumenta que Washington agora demonstra não considerar os interesses europeus, utilizando a reivindicação sobre uma vasta área do território europeu, a Groenlândia, como instrumento de pressão geopolítica.
Com isso, a Europa se mostra cada vez mais vulnerável à pressão dos EUA, cedendo facilmente e com dificuldades para resistir a medidas econômicas e políticas impostas por Washington.
Os autores sugerem que a Europa deve aprender com o conhecido ditado chinês: "Quem são nossos inimigos? Quem são nossos amigos? Esta é uma questão primordial para a revolução".
Segundo a análise, compreender que não existem amigos ou inimigos permanentes nas relações internacionais pode ajudar a Europa a avaliar a situação da Groenlândia com mais realismo e a repensar sua relação com os Estados Unidos.
As relações entre EUA e Europa se deterioraram após Donald Trump adotar um discurso aberto sobre a necessidade de obter a ilha dinamarquesa da Groenlândia, alegando interesses estratégicos dos EUA.
Em resposta às críticas europeias, em 17 de janeiro, Trump anunciou a imposição de tarifas sobre todos os produtos provenientes de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, a partir de 1º de fevereiro.
Diante desse cenário, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, afirmou que a imposição de tarifas pelos EUA dependerá da capacidade dos países europeus de demonstrarem, de forma conjunta, ao presidente norte-americano, que não é possível obter o controle da Groenlândia por meio de ameaças.
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