Geral
Bolsas europeias caem após tensões entre EUA e União Europeia sobre Groenlândia
Ameaças de tarifas e possível anexação da Groenlândia agravam clima geopolítico e pressionam mercados europeus.
Por Patricia Lara*
São Paulo, 19/01/2026 – As bolsas europeias registram forte queda nesta segunda-feira, refletindo a crescente tensão nas relações entre os Estados Unidos e a União Europeia, que ameaça o crescimento econômico caso se concretizem novas tarifas.
Por volta das 7h31 (horário de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 1,2%, aos 607,22 pontos. A Bolsa de Londres caía 0,49%, Paris cedia 1,4% e Frankfurt registrava baixa de 1,3%. Em Milão, o recuo era de 1,7% e, em Lisboa, de 0,98%. Madri também operava em queda, com baixa de 0,9%.
De acordo com economistas do Goldman Sachs, uma tarifa de 10% — anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para entrar em vigor em 1º de fevereiro — pode reduzir o PIB dos países afetados em 0,1 a 0,2 ponto percentual, devido à retração das exportações. No caso de uma tarifa de 25%, o impacto pode chegar a 0,25 a 0,5 ponto percentual. Esses efeitos se somariam à queda de 0,4% no PIB real estimada em razão dos aumentos tarifários implementados no ano anterior. No entanto, os economistas ressaltam que ainda há grande incerteza sobre a implementação dessas tarifas.
“Começamos a semana com uma série de notícias geopolíticas e tensões comerciais renovadas, o que deve desafiar o sentimento de risco fortemente positivo que temos visto nos mercados nas últimas semanas”, avaliou o ING em relatório.
Donald Trump intensificou ameaças de anexação da Groenlândia pelos EUA e cogitou impor tarifas a oito países do bloco europeu como forma de pressionar um acordo sobre o tema. Em resposta, a União Europeia estuda adotar tarifas retaliatórias sobre produtos americanos e até sanções econômicas mais severas.
O setor automotivo europeu foi especialmente afetado. A BMW recuava 4,8% em Frankfurt, enquanto ações da Porsche Automobil, Mercedes-Benz e Volkswagen caíam mais de 3%. Em Milão, a Ferrari registrava baixa de 2,5%.
Por outro lado, a tensão geopolítica favoreceu ações do setor de defesa. A Rheinmetall subia 3,12% em Frankfurt e a Leonardo avançava 3% em Milão. Em Londres, alta de 4% da Fresnillo e de outras mineradoras contribuía para amenizar as perdas do índice FTSE 100.
Em Portugal, o cenário político também chama atenção após o líder do partido de extrema-direita Chega, André Ventura, conquistar o segundo lugar nas eleições, em um resultado considerado surpreendente.
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* Com informações da Dow Jones Newswires.
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