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Ex-ministro Raul Jungmann morre aos 73 anos em Brasília
Morreu neste domingo (18), aos 73 anos, no hospital DF Star, em Brasília, Raul Jungmann, um dos personagens mais complexos e multifacetados da política brasileira das últimas décadas. Dono de uma trajetória marcada por paradoxos, Jungmann atravessou campos ideológicos distintos, acumulou aliados improváveis e despertou desconfianças tanto à esquerda quanto à direita — sem jamais ser uma figura simples de enquadrar.
Jovem opositor da ditadura militar instaurada em 1964, integrou o finado Partido Comunista Brasileiro (PCB) ainda na juventude. Mais tarde, tornou-se vereador, deputado federal e ministro de Estado em dois governos distintos, consolidando-se como um quadro técnico-político de trânsito amplo em Brasília. Ao longo da carreira, foi rotulado de muitas formas: esquerdista com a confiança do Exército, reformista incômodo, operador de bastidores, traidor por uns, confiável por outros.
Como ministro do Desenvolvimento Agrário, executou uma política de reforma agrária que desagradou simultaneamente a ruralistas e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) — façanha rara num país acostumado à polarização rígida. Para os grandes proprietários, avançou demais; para setores da esquerda, avançou de menos. O resultado foi o isolamento político, mas também a consolidação de uma imagem: a de alguém que operava fora das trincheiras clássicas.
Mais tarde, à frente do Ministério da Defesa, conquistou algo igualmente incomum: confiança institucional das Forças Armadas, mesmo carregando no currículo a militância de esquerda e a oposição histórica ao regime militar. Para parte do PT e da esquerda, passou a ser visto como “golpista” ou excessivamente alinhado ao establishment; para setores conservadores, continuou sendo um político de origem esquerdista, jamais totalmente assimilado.
Raul Jungmann construiu sua carreira nesse espaço cinzento entre campos opostos, onde poucos conseguem permanecer por muito tempo. Era, acima de tudo, um operador político, conhecedor profundo dos bastidores do poder, capaz de dialogar com atores antagônicos sem abandonar por completo suas convicções — ainda que isso lhe custasse rótulos, críticas e desconfianças permanentes.
Sua morte encerra a trajetória de um personagem que desafiou classificações fáceis. Em tempos de discursos binários e radicalização, Jungmann representava a política como ela é: feita de contradições, negociações duras e escolhas que raramente agradam a todos. Para admiradores ou críticos, deixa como legado a lembrança de um político que jamais coube inteiro em um único rótulo.
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