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Lula critica ação dos EUA na Venezuela em artigo no NYT: 'não seremos subservientes'

Em artigo no The New York Times, presidente brasileiro denuncia bombardeios dos EUA na Venezuela e destaca defesa da soberania latino-americana.

18/01/2026
Lula critica ação dos EUA na Venezuela em artigo no NYT: 'não seremos subservientes'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente os bombardeios realizados pelos Estados Unidos na Venezuela e a captura do líder Nicolás Maduro, em artigo publicado neste domingo (18) no jornal americano The New York Times. Lula classificou as ações como "mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial".

No texto, Lula ressalta ser "particularmente preocupante" o uso da força na América Latina e no Caribe. O presidente destaca que a ofensiva contra a Venezuela representa a primeira vez em mais de 200 anos que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos EUA, apesar de interferências anteriores na região.

"A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. Temos nossos próprios interesses e sonhos a defender. Em um mundo multipolar, nenhum país deve ter suas relações externas questionadas por buscar universalidade. Não seremos subservientes a empreitadas hegemônicas. Construir uma região próspera, pacífica e pluralista é a única doutrina que nos convém", afirmou Lula.

Lula também pontuou que governantes devem responder por atos que sabotem a democracia e os direitos fundamentais, mas ponderou que intervenções externas são ilegítimas. Ele alertou que ações unilaterais ameaçam a estabilidade global, prejudicam o comércio e os investimentos, ampliam o fluxo migratório de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de combater o crime organizado e outros desafios transnacionais.

"É crucial que líderes das grandes potências entendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que sejam, não podem contar apenas com o medo e a coerção", escreveu o presidente brasileiro.

Lula manifestou preocupação com o aumento de ataques à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança, argumentando que o uso recorrente da força compromete a estabilidade internacional. O presidente também criticou a divisão do mundo em "zonas de influência" e as "incursões neocoloniais por recursos estratégicos".

O presidente destacou ainda o interesse da América Latina e do Caribe em atrair investimentos em infraestrutura, gerar empregos de qualidade e ampliar a renda dos cidadãos, objetivos que, segundo ele, dependem de cooperação internacional. Sobre a Venezuela, Lula defendeu um "processo político inclusivo" liderado pelos próprios venezuelanos para garantir um futuro "democrático e sustentável".

Por fim, Lula ressaltou o "diálogo construtivo" mantido entre o Brasil e os EUA. "Estamos convencidos de que unificar nossos esforços em torno de planos concretos para investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho para avançar. Apenas juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós", concluiu.