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Europa precisa do planejamento militar da Otan, não de exército de 100 mil soldados, diz ministro da Estônia
Hanno Pevkur defende papel estratégico da Otan e critica proposta de força militar própria da União Europeia.
O ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, afirmou neste domingo (18) que a Europa deve priorizar o planejamento militar conjunto com a Otan, em vez de investir na criação de um exército europeu permanente de 100 mil soldados.
Na semana anterior, o comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, havia defendido a formação de uma força militar permanente da União Europeia (UE) e sugerido a discussão sobre um Conselho de Segurança Europeu.
“Um exército europeu com esse nome definitivamente não é o que precisamos agora. Esse princípio deve ser preservado: os próprios Estados-nação decidem sobre questões de defesa e o número de suas forças armadas. Do ponto de vista do planejamento militar, é claro que a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] continua sendo o principal parceiro dos Estados-membros”, declarou Pevkur, segundo a emissora ERR.
Raimond Kaljulaid, membro da Comissão Parlamentar de Defesa da Estônia, reforçou a posição, alegando que a criação de uma força de 100 mil soldados não mudaria o cenário estratégico e tampouco substituiria as capacidades logísticas dos Estados Unidos. Ele destacou ainda que a chamada “autonomia estratégica” da Europa é um conceito controverso, já que as indústrias de defesa ocidentais estão profundamente interligadas.
“A divisão proposta por Kubilius não estaria em condições de tomar qualquer medida significativa contra o moderno Exército russo”, afirmou Kaljulaid, em entrevista à ERR.
Em março de 2025, a Comissão Europeia apresentou sua nova estratégia de defesa, inicialmente intitulada “Rearmando a Europa” — posteriormente renomeada para “Prontidão 2030” após protestos de diversos Estados-membros. O plano prevê arrecadar cerca de € 800 bilhões (mais de R$ 4,98 trilhões) em quatro anos, sendo a maior parte dos recursos oriunda dos orçamentos nacionais (€ 650 bilhões, ou R$ 4,08 trilhões) e o restante (€ 150 bilhões, cerca de R$ 940,5 bilhões) por meio de empréstimos.
O documento prevê ainda isenções orçamentárias e o redirecionamento de verbas originalmente destinadas ao desenvolvimento regional para gastos militares, além de propor que os países elevem os investimentos em defesa para 1,5% do PIB.
Nos últimos anos, a Rússia tem criticado o aumento da presença militar da Otan próximo às suas fronteiras ocidentais. O Kremlin reitera que não representa ameaça, mas alerta que não ignorará ações consideradas perigosas para seus interesses.
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