Finanças

Integrantes do governo não acreditam que reciprocidade contra os EUA seja aplicada antes da eleição

Cenário projetado pode, porém, mudar, na visão do Planalto, se os Estados Unidos anunciarem alguma outra medida contra o país

Agência O Globo - 14/08/2026
Integrantes do governo não acreditam que reciprocidade contra os EUA seja aplicada antes da eleição
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a aplicação efetiva da reciprocidade a produtos americanos em razão da tarifação não seja aplicada antes do fim do processo eleitoral. O segundo turno da disputa acontecerá no dia 25 de outubro.

Os auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entendem que a conclusão do processo, que foi aberta na quinta-feira com a notificação dos Estados Unidos, deve durar entre 60 e 90 dias, com consultas diplomáticas e aos setores da economia brasileira afetadas pelas tarifas de 25% e 12,5% impostas em julho pelo governo de Donald Trump.

O cenário projetado pode, porém, mudar a visão do Planalto, se os EUA anunciarem alguma outra medida contra o país. Nesse caso, o governo brasileiro poderia aplicar a reciprocidade com eventuais taxas de produtos americanos mesmo antes da conclusão do processo.

Mas o caminho visto na gestão de Lula como mais provavelmente hoje não seria tributar exportações dos EUA para o Brasil e sim buscar outros caminhos previstos na Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso, como a suspensão de obrigações de propriedade intelectual de produtos americanos, com o bloqueio de remessas de royalties.

Isso evitaria que a economia brasileira fosse prejudicada. O governo entende que a reciprocidade não pode significar um lucro no próprio pé com prejuízo para as empresas do Brasil.

A tributação aos produtos americanos só seria imposta para o caso de haver produtos similares produzidos por outros países. O Planalto avalia que colocar a Lei de Reciprocidade na mesa é fundamental para impedir a adoção de novas medidas contra o país.

Integrantes do governo também acreditam que os americanos só aceitarão voltar a negociar as tarifas impostas ao Brasil depois da eleição. No entendimento dos auxiliares de Lula, a gestão Trump pensa que, caso Flávio Bolsonaro vença, encontre mais facilidade para suas demandas como, por exemplo, obter preferência na exploração de terras raras.

Em um cenário de vitória de Lula, os atuais ocupantes do Palácio do Planalto prevêem que a gestão Trump vai precisar negociar porque saberão que terão que conviver com o petista no comando do Brasil pelo menos até o fim de 2028, quando acabar o mandato do americano.