Finanças

Brasil melhorou em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda aumentou, mostra pesquisa

Dados do Observatório Brasileiro das Desigualdades apontam avanços em áreas como desmatamento e insegurança alimentar, mas ganhos do 1% mais rico se ampliaram em 2025

Agência O Globo - 12/08/2026

Dados do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2026, elaborado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, indicam que o Brasil registrou avanços importantes em diversas áreas. Dos 48 indicadores monitorados pela iniciativa, 71% deles registraram melhora. Os avanços incluem combate ao desmatamento, redução da pobreza, homicídios entre jovens, segurança alimentar, educação e outras áreas.

Supersalários:

Desigualdade volta a subir em 2025:

Outros 13% permaneceram estáveis, sem mudanças significativas. No entanto, 16% dos indicadores registraram piora. O principal retrocesso foi no número de pessoas que vivem em áreas de risco de deslizamento e tragédias climáticas. Problemas históricos como a concentração de renda persistem no país em níveis elevados.

Veja alguns dos principais avanços:

Área de desmatamento: O país registrou uma redução expressiva no desmatamento. Após atingir um pico de 2,1 milhões de hectares desmatados em 2022, a área desmatada caiu para 984,8 mil hectares em 2025, o que representa uma redução de 53,4% em relação ao maior nível da série histórica, segundo dados do Mapbiomas.

Emissão de gases de efeito estufa: O volume de emissões decorrente do uso da terra e florestas teve uma redução de 32,5% entre 2023 e 2024, passando de 1,34 bilhão de toneladas de CO2 para 905,6 milhões, de acordo com informações do Observatório do Clima.

Insegurança alimentar: A proporção de brasileiros que vivem em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A queda foi mais expressiva entre a população negra, que passou de 12,2% para 9,7% entre homens negros e de 12,5% para 10% entre mulheres negras, segundo o IBGE.

Homicídios entre jovens de 15 a 29 anos: Os homicídios entre jovens caíram de 49,7 casos a cada 100 mil habitantes para 41,9 entre 2021 e 2024, uma redução de 15,7%, segundo dados compilados pelo Observatório.

Desemprego: A taxa de desocupação no país caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. A redução foi mais acentuada entre as mulheres, que passaram de 8,1% para 6,9%. Contudo, as taxas de desemprego entre a população negra permanecem críticas. O nível de desemprego entre mulheres negras, por exemplo, foi de 8,5%, enquanto entre homens não negros foi de 3,8%, segundo o IBGE.

Destaques negativos

População exposta a risco geológico: O número de pessoas vivendo em áreas com risco de deslizamentos e tragédias climáticas cresceu no país. Em 2025, foram registrados 4,36 milhões de pessoas nessas condições, e em 2026, esse número subiu 7%, alcançando 4,67 milhões, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil.

Os dados revelam ainda que houve uma expansão das áreas de risco existentes, e não um adensamento em áreas já atuais. Atualmente, o país conta com 17 mil áreas de risco geológico, a maioria delas ocupadas por pessoas em situação de vulnerabilidade.

Mortalidade materna: Após queda no pós-pandemia, os óbitos maternos subiram, passando de 52,2 casos a cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024. O cenário mais crítico foi registrado em Roraima, com 132,3 mortes a cada 100 mil nascidos, segundo dados do Ministério da Saúde.

Concentração de renda: O rendimento médio da faixa do 1% mais rico do Brasil em 2024 era 30,2 vezes maior que o dos 50% mais pobres. Esse indicador aumentou para 31,5 vezes em 2025, de acordo com dados do IBGE.

O documento também aponta desafios persistentes no cenário brasileiro dentro dos indicadores que apresentaram melhora. O rendimento médio mensal dos brasileiros, por exemplo, apresentou melhora de 5,3% entre 2024 e 2025, atingindo R$ 3.376.

Distrito Federal tem maior renda do país:

Dentro desse panorama, o rendimento das mulheres negras cresceu abaixo da média nacional e em um ritmo inferior ao crescimento da renda dos homens não negros. As mulheres negras continuam com os menores rendimentos médios do país, com R$ 2.184 no ano passado.

Sobre os indicadores que permaneceram estáveis, como a escolarização no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação de renda, os pesquisadores ressaltam a necessidade de políticas públicas mais consistentes para que essas áreas produzam mudanças significativas.

Maior número da série:

“Em conjunto, os resultados mostram que o país avançou na ampliação das condições de vida da população, mas ainda enfrenta dificuldades para reduzir as desigualdades que estruturam a sociedade brasileira. O crescimento do emprego, da renda e do acesso a direitos foi acompanhado pela manutenção — e, em alguns casos, pelo agravamento — das disparidades de renda, raça, gênero, moradia e território”, afirma o Observatório.