Finanças
Governo tenta espantar 'jabutis' de projeto que permite redução de combustíveis para evitar impacto fiscal
Projeto pode ser votado nesta semana de 'esforço concentrado' no Congresso
Nas negociações com os líderes do Congresso, o governo está tentando reduzir as alterações realizadas no projeto de lei complementar (PLP) dos combustíveis para evitar o impacto fiscal com a medida. Há possibilidade de uma proposta ser apreciada nesta semana, em que o Parlamento faça um “esforço concentrado” de votações antes do início oficial da campanha eleitoral.
O governo formulou o PLP em abril, no auge da guerra no Oriente Médio, com o objetivo de alterar, de forma temporária, dispositivo da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que veda o uso de receitas não recorrentes para compensar renúncias tributárias, considerando o contexto da guerra no Irã. Na avaliação da equipe econômica, uma redução de tributos é uma medida mais simples para mitigar os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o consumidor brasileiro, mas, como o PLP não foi votado tempestivamente, o governo decidiu subvencionar os produtores e importadores de combustíveis.
Depois, o substitutivo da deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), relatora da proposta, fez uma série de modificações no projeto original do governo, com a inclusão, por exemplo, de medidas para preservar o regime fiscal favorecido de biocombustíveis em caso de desoneração tributária de combustíveis fósseis, o que afetaria o equilíbrio fiscal da medida.
Nesta manhã, os ministros da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, do Planejamento, Bruno Moretti, e da Fazenda, Dario Durigan, se reuniram no Palácio do Planalto com os líderes do governo e do PT no Congresso. Ao final da reunião, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), que também é autor do PLP, destacou que o projeto é “cheio de jabutis”, com temas que fogem do escopo original da proposta. O PLP deve ser discutido em reunião com líderes partidários e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Integrantes do governo afirmam que o esforço é para reduzir os “jabutis”.
Outro projeto que preocupa a equipe econômica é o que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). O texto prevê uma série de benefícios fiscais para o setor, como a autorização de PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação. Nesse caso, segundo uma fonte, a ideia é tentar modificar o texto para reduzir o impacto primário de R$ 10 bilhões para R$ 5 bilhões. O projeto está previsto para ser votado no plenário do Senado nesta terça-feira.
Além disso, também por preocupações orçamentárias, a equipe econômica defende tirar da pauta de votações do Senado nesta terça-feira os projetos que criam o Fundo Especial da Justiça Federal (Fejufe), o Fundo de Fortalecimento da Cidadania e Aperfeiçoamento do Ministério Público da União (FMPU), e o Fundo de Fortalecimento do Acesso à Justiça , Promoção dos Direitos Fundamentais e Estruturação da Defensoria Pública da União .
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