Finanças
ONS revê acionamento de corte emergencial na geração de energia no Dia dos Pais
Operador Nacional do Sistema Elétrico chegou a emitir alerta para que setor se preparasse para cortes
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que decidiu não acionar o plano emergencial de suspensão na geração de energia neste Dia dos Pais. O órgão havia emitido alerta para que as distribuidoras de energia se preparassem para o corte neste domingo, mas a medida não foi necessária.
O plano de corte na geração (chamado de curtailment no setor) é acionado quando há excesso de geração e pouco consumo de energia. Sobrecarregado, o sistema pode entrar em colapso e gerar um apagão.
Primeiramente, o ONS tenta reduzir a oferta de energia nas geradoras que estão diretamente ao seu alcance, por meio do sistema interligado nacional, como as grandes hidrelétricas. Quando essa ação não é suficiente, o curtailment é acionado para que o corte seja estendido também às pequenas usinas geradoras, que não são controladas pelo operador, como centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e usinas eólicas e solares de menor porte.
O cenário deste domingo decorre da forte produção de energia solar em telhados e pelo consumo baixo, uma vez que se trata de um fim de semana, quando há muito menos demanda da indústria e do comércio.
Em comunicado, o ONS afirmou que o corte na geração havia sido previamente comunicado aos agentes envolvidos, mas a medida não foi necessária após a gestão no sistema para equilibrar oferta e demanda de energia.
"Vale ressaltar que, em tempo real, o ONS permanecerá realizando a gestão dos recursos disponíveis conforme a demanda", destacou o operador, em nota.
Datas comemorativas são um marco importante para isso, uma vez que as famílias tendem a estar reunidas em um dia com alta irradiação solar. Em dias em que a carga é reduzida e a contribuição da micro e minigeração distribuída (como é chamada a produção de energia em telhados) atinge níveis elevados, o sistema elétrico pode enfrentar situações de demanda líquida muito baixa.
No Dia dos Pais do ano passado, o sistema passou por um estresse em sua operação no início da tarde. Naquele momento, a geração distribuída foi responsável por 37,6% da demanda. Com a elevada geração de energia em telhados, o ONS reduziu a produção de hidrelétricas e termelétricas, cortando 98,5% do potencial de geração de energia eólica e solar centralizadas (em usinas) estimado para aquele horário.
Restaram apenas 2 gigawatts (GW) de geração flexível — cerca de 5% do total — para ser manejada pelo ONS naquele momento. Se essa margem fosse consumida, o operador teria que violar restrições técnicas, como operar usinas abaixo do mínimo seguro ou desrespeitar limites técnicos de linhas de transmissão, o que comprometeria a segurança do sistema, configurando um risco para a rede elétrica.
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