Finanças

STF suspende julgamento de lei que proíbe jogos de azar

Pedido de vista do ministro Flávio Dino interrompeu a análise

Agência O Globo - 07/08/2026
STF suspende julgamento de lei que proíbe jogos de azar
STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (dia 6) suspender o julgamento sobre a validade da Lei das Contravenções Penais . Uma norma está em vigor no país desde 1941, quando foi assinada pelo então presidente da República, Getúlio Vargas.

A análise do caso foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino . O ministro entendeu que o julgamento também deve envolver as apostas online, as chamadas bets .

Para o ministro, as ações que questionam a regulamentação das plataformas de apostas devem ser julgadas em conjunto. Os dados para a retomada do julgamento não foram definidos.

“Não me parece que possamos dar um tratamento rigoroso ao jogo do bicho e ignorar este dragão que são os jogos perversos das apostas”, disse.

Julgamento

A Corte começou a analisar se a Lei das Contravenções Penais foi recebida pela Constituição de 1988.

O principal ponto em discussão está no Artigo 50 da lei. O dispositivo definindo como contravenção penal a exploração de jogos de azar em locais públicos, como no caso de caça-níqueis, bingo e jogo do bicho. A norma também prevê multa de R$ 2 mil e R$ 200 mil para quem participa do jogo na condição de apostador.

O único voto do julgamento foi proferido pelo relator, ministro Luiz Fux . Ele apontou que a atividade econômica de jogos de azar no país é proibida, exceto nos casos das loterias.

Para o ministro, a atividade pode ser impedida pelo Estado e não está inserida no princípio constitucional da livre iniciativa econômica.

“A loteria não se vale de mecanismos colaterais a obtenção obtida diante da exploração da violência do comportamento”, comentou.

Apostas

O relator também tratou do caso das apostas online. As apostas são legalizadas no país, desde que operem devidamente autorizadas pelo governo federal, e não são alvo do voto do ministro.

No entanto, Fux aprovou a análise do caso para citar os impactos do vício em jogos de azar e envolver casos de superendividamento, envolvimento de crianças e os efeitos na diminuição das vendas do comércio.

"Hoje, se aposta, mas não compre comida para a casa", disse.

Entenda

O Supremo iniciou a análise do caso após recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra decisão da Justiça estadual. Uma instância inferior, atualmente, à que a lei não foi recebida pela Constituição de 1988.

O caso concreto trata de um homem condenado por três máquinas de caça-níqueis em seu estabelecimento comercial.