Finanças
Itaú renegocia R$ 1,1 bilhão no Desenrola 2 e beneficia 371 mil clientes
Milton Maluhy, presidente do banco, avalia participação em outros programas do governo.
O Itaú, maior banco privado do país, renegociou R$ 1,1 bilhão em dívidas no programa Desenrola 2 , iniciativa do governo federal criada para facilitar a repactuação de dívidas em atraso de pessoas físicas. O programa oferece descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e a possibilidade de utilizar parte do saldo do FGTS para quitar os débitos. De acordo com o presidente do Itaú, Milton Maluhy , o programa teve efeitos limitados nos indicadores financeiros do banco no segundo trimestre de 2026, sendo classificado como “absolutamente imaterial” para os resultados globais.
Vendas travadas:
Desenrola adimplentes:
— O principal impacto numérico foi de apenas 0,02% nos índices de atraso. O banco atendeu 371 mil clientes por meio do programa, renegociou R$ 1,1 bilhão em dívidas e caiu uma participação de 12% no Desenrola 2 — explicou Maluhy durante a apresentação dos resultados do banco no segundo trimestre.
Ele avaliou o programa como bem-sucedido e afirmou que o formato e as condições geraram uma adesão maior do que nas edições anteriores. Maluhy detalhou que o programa funcionou como um canal de comunicação, atraindo clientes inclusivos que não eram elegíveis, mas que aproveitaram a oportunidade para debater e renegociar suas dívidas com o banco.
Iniciado em maio deste ano, o programa é voltado principalmente para famílias com renda mensal de até cinco meses mínimos. Podem ser renegociados débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratado até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e 2 anos . O governo estendeu o programa até 31 de agosto .
— O programa não foi apenas adotado pelo banco, mas co-construído junto com o Ministério da Fazenda , contando com a colaboração de várias mãos, incluindo o sistema financeiro e outros ministérios envolvidos. Essa construção conjunta garantiu o sucesso da iniciativa desde o seu início — disse Maluhy.
Gabriel Amado de Moura, diretor de finanças (CFO) do Itaú, afirmou que essas iniciativas cumprem um papel fundamental de reabsorção e reintegração financeira dos clientes. No entanto, ressaltou que uma carteira de crédito saudável não se construiu na renegociação, mas sim na qualidade da concessão, na precificação correta do risco e no acompanhamento das necessidades dos clientes.
Sobre o Desenrola Adimplentes , programa federal que troca dívidas caras por outras com juros mais baixos para quem mantém os pagamentos em dia, Maluhy esclareceu que, apesar do nome, ele também capturou clientes com atraso curto de até 89 dias .
— O Itaú está acompanhando o programa de perto e avaliando há oportunidades para atender esses clientes que estão na fase inicial de inadimplência — afirmou o presidente do Itaú.
Maluhy também comentou o Move Brasil , programa de financiamento de automóveis rodoviários a taxistas e motoristas de aplicativos, que foi lançado há pouco mais de um mês. Ele reiterou que o banco ainda está em fase de avaliação da iniciativa e não tomou uma decisão final sobre a participação, revelando que existe um processo de debates internos e uma co-construção em andamento junto ao governo.
— O Itaú está realizando cálculos para entender o impacto, o tamanho do mercado potencial e se existe, de fato, uma demanda real dentro de sua base de clientes para esse programa específico — afirmou.
Lucro de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre
No segundo trimestre deste ano, o Itaú registrou um lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões , uma alta de 1% em relação ao trimestre anterior e de 7,8% em comparação ao mesmo período de 2025. Os resultados permaneceram em linha com o consenso de mercado, que anteriores um resultado de R$ 12,46 bilhões.
O Retorno sobre o Patrimônio (ROE), indicador que mede a capacidade de uma empresa gerar lucro a partir dos recursos investidos pelos acionistas, atingiu 24,3% , mantendo-se em um patamar elevado, apesar de uma queda de 0,5 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre do ano.
A carteira total de crédito do banco alcançou R$ 1,5 trilhão , crescendo 2,7% no trimestre e 9,6% em doze meses. No crédito para pessoas físicas, os maiores crescimentos foram verificados em crédito imobiliário ( 3,9% ) e consignado ( 3,5% ), com destaque para a alta expressiva de 14,3% no crédito consignado privado.
O índice de inadimplência (acima de 90 dias) permaneceu estável em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo, refletindo a estratégia de concessão de crédito prudente do banco.
IA integrada ao superaplicativo
O banco lançou sua inteligência artificial proprietária, ia.i , integrada ao superaplicativo do Itaú, focada em auxiliar a decisão financeira dos clientes com contexto e profundidade.
— A ia.i é definida como um avaliador que conhece o cliente, entende suas necessidades e se antecipa a elas. O objetivo é transformar a percepção do Itaú de um “banco transacional” para um “banco consultivo” , onde o cliente pode conversar e tirar dúvidas em um ambiente seguro — destacado.
Maluhy ressaltou que o banco está mudando a lógica da “hiperpersonalização em escala” para a “individualização da experiência” , criando jornadas únicas para cada cliente, com base em seu histórico e momento de vida específico.
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