Finanças

Mercado amplia aposta em cortes de juros e vê Selic em 13,75% no fim de 2026, mostra Focus

Projeção para inflação recuou pela quinta semana seguida, reforçando expectativa de flexibilização monetária; analistas alertam que ciclo deve ser gradual

Agência O Globo - 03/08/2026
Mercado amplia aposta em cortes de juros e vê Selic em 13,75% no fim de 2026, mostra Focus
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O mercado financeiro passou a projetar uma queda maior da taxa Selic ao longo de 2026 após a melhora recente das expectativas de inflação. O Boletim Focus divulgado segunda-feira mostrou que nesta mediana das projeções para a taxa básica de juros no fim do próximo ano caiu de 14%, onde reuniões nas últimas cinco semanas, para 13,75%, reforçando a expectativa de pelo menos dois cortes de 0,25 ponto percentual da Selic até o fim do ano.

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A revisão ocorre em meio à sequência de dados inflacionários mais específicos, com destaque para o IPCA-15 de julho, que ficou abaixo das expectativas, e para o rompimento nos preços do petróleo no mercado internacional. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5,12% para 5,03%, marcando a quinta semana consecutiva de redução nas estimativas de inflação.

Segundo a Ativa Investimentos, a mudança nas projeções reflete uma “reação direta à melhor conjuntura inflacionária”, após dados recentes da inflação virem melhores do que o esperado e uma perspectiva mais branda para o preço das commodities.

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Apesar da melhoria, os analistas destacam que a trajetória esperada para os juros ainda é de flexibilização gradual, e não de um ciclo acelerado de cortes.

— O Focus consolidou a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira, principalmente porque as projeções de inflação estão melhorando. Ainda assim, esse movimento não deve ser interpretado como o início de um ciclo intenso de queda dos juros, já que o cenário mais provável continua sendo uma redução gradual, com a Selic encerrando 2026 em torno de 13,75%, já que a inflação segue desacelerando e o ambiente externo permanece favorável — afirma Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Para o analista, uma eventual redução dos juros pelo Banco Central deverá vir acompanhada de um discurso mais cauteloso, diminuindo que novas cortes dependerão da evolução da inflação e das contas públicas.

— Para o investidor, isso significa evitar apostas em uma queda rápida dos juros, manter preferência por aplicações em renda fixa que ainda ofereça retornos elevados e continuar sendo seletivo na bolsa e no crédito privado, privilegiando empresas mais sólidas e menos individualizadas — diz.

Para os próximos anos, as expectativas resultaram bastante. A projeção para o IPCA de 2027 ficou em 4,22%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 ficaram em 3,80% e 3,50%, respectivamente.

No câmbio, a previsão para o dólar no fim de 2026 chegou a R$ 5,20, enquanto para 2027 recuou levemente, de R$ 5,29 para R$ 5,28.

A Ativa também avalia que o cenário mais benigno deve levar o Banco Central a reduzir suas próprias projeções de inflação na próxima reunião do Copom. A casa estima que as autoridades monetárias possam revisar sua projeção de IPCA para 2026 de 5,2% para 4,8%, reforçando o espaço para continuidade do processo de corte de juros.