Finanças

Anúncios fraudulentos usam Novo Desenrola para enganar usuários em plataformas da Meta, mostra pesquisa

Estudo do NetLab, da UFRJ, identificou 544 anúncios falsos que exploram políticas públicas voltadas à população endividada

Agência O Globo - 01/08/2026
Anúncios fraudulentos usam Novo Desenrola para enganar usuários em plataformas da Meta, mostra pesquisa

Em cerca de dois meses, 544 anúncios fraudulentos que exploraram políticas públicas externas à população individualizada, como o Novo Desenvolvimento Brasil, para aplicar golpes foram identificados em plataformas da Meta. É o que aponta um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os dados foram encontrados entre 1º de abril e 14 de junho deste ano no Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Messenger, além da Audience Network, serviço por meio do qual a Meta veicular anúncios em aplicativos de terceiros. Segundo o estudo, 48 páginas são responsáveis ​​pelos anúncios fraudulentos .

Apesar de terem sido encontrados em todas as plataformas do Meta, há um destaque para Facebook e Instagram . Confira as plataformas em que os anúncios foram veiculados — no entanto, um mesmo anúncio pode ter sido exibido em mais de uma plataforma.

Facebook - 544

Instagram - 543

Mensageiro - 397

Audience Network - 365

Fios - 303

WhatsApp - 26

Tipos de anúncios fraudulentos

Os pesquisadores identificaram dois tipos de campanhas fraudulentas. O primeiro reúne 278 anúncios que usam o Desenrola para se beneficiar da atualização do programa.

O segundo engloba 264 campanhas que promovem um falso programa governamental, chamado Libera Brasil, apresentado como uma alternativa mais vantajosa ao Desenrola. O programa fictício é divulgado por meio de anúncios que alegam a existência de um "decreto" que garantiria o acesso à suposta iniciativa.

Apesar de utilizarem o mesmo vocabulário, os dois programas mencionados acima são mencionados no mesmo anúncio. Segundo o levantamento, apenas dois anúncios , publicados por uma mesma página, fazem referência simultânea ao Desenrola e ao fictício Libera Brasil.

O estudo também envolve que, do total de anúncios fraudulentos, 38,1% apresentam conteúdo gerado por inteligência artificial (IA); 19,1% direcionam os usuários para sites que passam por canais oficiais do governo; e 72% fazem uso indevido do nome e da imagem do governo ou de marcas privadas, como Serasa e Itaú.

Como são os anúncios

Segundo os pesquisadores, anúncios falsos que se aproveitam do Desenrola direcionam usuários para sites suspeitos que coletam dados pessoais e sigilosos ou para conversas no WhatsApp, onde o golpe continua. Os conteúdos apresentam estratégias de manipulação, como promessas de soluções financeiras irreais, além de criar um senso de urgência e dificuldades para induzir cliques.

Outra prática identificada é o redirecionamento para sites criados para monetizar o tráfego. Nesses casos, o usuário só chega às páginas oficiais do governo após passar por sites intermediários repletos de publicidade predatória.

Já os anúncios sobre o falso programa Libera Brasil costumam associá-lo ao Serasa e a um suposto decreto. Eles afirmam que seria possível limpar o nome com um pagamento único de até R$ 70 e usam exemplos de dívidas superiores a R$ 8 mil que poderiam ser quitadas por apenas R$ 40 . Também alegaram que o benefício dependia de uma consulta ao CPF e estaria disponível por tempo limitado, reforçando o senso de urgência.

Anúncios se intensificaram após o Desenrola

Apesar dos primeiros anúncios terem sido identificados em 9 de abril , os pesquisadores apontam que a circulação se intensificou logo após o lançamento do Novo Desenrola, em 5 de maio . Segundo o estudo, esse movimento sugere uma tentativa de aproveitar a visibilidade do programa oficial para confundir os usuários e dar maior contrapartida às campanhas fraudulentas.

Em mídia, os anúncios promovidos ativamente por cerca de três dias . No entanto, há um caso de um anúncio que ficou no ar durante 22 dias promovendo o falso programa Libera Brasil, aponta o levantamento.

O que diz a Meta

Procurada, a Meta afirmou que o combate a fraudes e golpes online é uma prioridade e informou que está intensificando os esforços "utilizando tecnologia de inteligência artificial, modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e reconhecimento facial para detecção e remoção de conteúdos, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas".

Segundo a companhia, houve uma redução de mais de 50% nas denúncias de usuários sobre anúncios de golpes entre meados de 2024 e final de 2025 . No ano passado, a empresa informou ter removido mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos por violarem nossas políticas, sendo 92% deles antes de serem denunciados, e também desativou 10,9 milhões de contas no Facebook e Instagram associados ao que chamou de centros de aplicação de golpes.

"Não permitimos atividades fraudulentas ou que violem os Padrões da Comunidade ou de Publicidade. Usamos uma combinação de tecnologia e revisão humana para identificar e remover conteúdos violadores, o que temos feito em relação ao Desenrola Brasil. A Meta reforça ainda que coopere e responda a requisições das autoridades brasileiras nos termos da legislação aplicável", disse, em nota.