Finanças

Mulheres vulneráveis têm metade da chance dos homens de sair da pobreza. Entenda por quê

Raça também pesa: 51,64% dos não brancos permanecem entre os mais pobres, ante 36,32% dos brancos

Agência O Globo - 31/07/2026
Mulheres vulneráveis têm metade da chance dos homens de sair da pobreza. Entenda por quê
Atlas da Mobilidade Social: mulheres vulneráveis têm metade da chance dos homens de sair da pobreza - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Para além da classe, as desigualdades de gênero e de raça ajudam a manter mulheres e pessoas negras entre os mais pobres, com menos oportunidades de ascensão social. Entre as mulheres nascidas nas famílias que compõem os 25% mais pobres do Brasil, 65,12% permanecem nessa mesma faixa de renda na vida adulta, quase o dobro dos 32,95% registrados entre os homens.

Os dados fazem parte da nova do Atlas da Mobilidade Social , plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab .

Se considerarmos que continua na metade mais pobre da população, o número é ainda maior: 86,19% . Outros 37,65% ficam entre os 10% de menor renda. Já para os homens, esses percentuais são de 62,97% e 11,96% , respectivamente.

No estudo, o grupo dos 25% mais pobres reúne famílias cuja renda domiciliar mensal — soma dos rendimentos recebidos por todos os moradores da casa — era de até R$ 2.183,41 , em valores de dezembro de 2019. Já a metade de menor renda, para os filhos já adultos, inclui aqueles que ganharam individualmente até R$ 1.641,34 por mês, entre os 25 e os 29 anos.

No outro extremo, apenas 4,51% das mulheres nascidas nas famílias mais pobres chegam ao grupo dos 25% mais ricos, ante 11,66% dos homens. A probabilidade de alcançar os 10% de maior renda também é menor entre eles: 0,74% , menos da metade dos 1,75% registrados no grupo masculino.

É importante observar que, ainda que as mulheres tenham mais chance de avançar na escolaridade, as diferenças de renda persistem. Entre aquelas nascidas nos 25% mais pobres, 54,67% concluem o Ensino Médio e 2,36% , o Ensino Superior. Entre os homens, as proporções são menores, de 40,35% e 0,89% , respectivamente.

Desigualdade racial

A cor também influencia as possibilidades de ascensão. Entre os jovens não brancos — incluindo negros, indígenas e amarelos — nascidos nos 25% mais pobres, 51,64% continuam na mesma faixa de renda quando chegam à vida adulta. Entre os brancos com a mesma origem econômica, a proporção cai para 36,32% .

Quando se observa os que têm chance de ficar entre 10% mais pobres na vida adulta, a distância é ainda maior: 26,80% entre os não brancos, ante 14,92% entre os brancos. Já a chance de chegar aos 25% mais ricos é de 7,31% no primeiro grupo e de 11,54% no segundo.

Quando gênero e cor são analisados ​​em conjunto, as mulheres negras ou não brancas seguem com maiores desvantagens. Entre aquelas nascidas nos 25% mais pobres, 69% permanecem nessa mesma faixa de renda na vida adulta, comparadas a 52,9% das mulheres brancas e 20,69% dos homens brancos. Ou seja, esse último grupo, mesmo quando nasce na pobreza, é o que mais tem chance de ascender socialmente.

Isso acontece porque as barreiras ainda presentes na estrutura da sociedade brasileira impõem desafios adicionais ao avanço econômico de mulheres e negros. Como diz Fernando Veloso , diretor de pesquisa do IMDS:

— As desigualdades raciais e de gênero refletem diferenças no acesso a oportunidades de ascensão social, como educação de qualidade, bom atendimento de saúde e empregos com melhores remunerações.