Finanças
BNDES anuncia condições de empréstimos da linha de socorro para companhias aéreas, com R$ 13,5 bi no total
Programa de apoio vinha sendo prometido desde o início do atual governo Lula. Disparada nos preços de combustível, por causa da guerra no Irã, deram o empurrão final
Após anos de espera e estudos, o BNDES anunciou nesta quinta-feira as condições dos empréstimos da linha de socorro para as companhias aéreas. No total, serão R$ 13,5 bilhões disponíveis. Como já havia sido fixado em medida provisória (MP) em junho, são R$ 8 bilhões para crédito de capital de giro e mais R$ 5,5 bilhões para a aquisição de aeronaves e outros investimentos.
O pacote usa recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), em mais um capítulo da estratégia da atual diretoria do BNDES, de lançar mão de recursos de fundos da União para turbinar programas de crédito.
Mais recentemente, os programas ganharam contornos eleitorais — Lula é candidato à reeleição no pleito de outubro próximo. É o caso das linhas para caminhoneiros e motoristas de aplicativos, no programa Move Brasil.
Entenda a crise:
A estratégia foi iniciada ainda no primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, e foi acelerada do ano passado para cá, com pacotes de crédito emergenciais, como o dos EUA sobre as exportações brasileiras.
O peso da guerra
Nessas medidas mais recentes, os efeitos colaterais sobre os preços dos combustíveis da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, deflagrada na virada de fevereiro para março, serviram como principal justificativa.
Passagens aéreas vão subir mais?
O conflito também devolveu as companhias aéreas aos holofotes. Os preços do petróleo aumentaram. Isso tornou o programa com recursos do Fnac ainda mais urgente.
Desde a pandemia
A espera é ainda mais longa se considerado o período da pandemia. O setor aéreo foi um dos primeiros a serem atingidos pelas restrições da Covid-19. Com a sobrevivência das companhias aéreas em xeque, EUA e países da Europa correram para socorrer essas empresas.
Em meio ao extenso pacote de medidas do governo para mitigar os efeitos da pandemia, o BNDES chegou a anunciar uma linha de R$ 3,6 bilhões para as aéreas, R$ 1,2 bilhão para cada uma das três grandes companhias atuantes no país, mas não aprovou uma operação sequer.
As condições foram consideradas rígidas demais pelas empresas, o que acabava encarecendo os financiamentos. No programa, o BNDES coordenaria o lançamento de títulos de dívida conversíveis em ações por parte das companhias.
Para alguns observadores, o desenho do pacote de apoio ao setor aéreo na pandemia resumiria a postura do BNDES nos governos Temer e Bolsonaro, marcada pela atuação em parceria com bancos privados e com menos subsídios.
Volta do PT
Desde a volta do PT ao Planalto, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, esteve em suas companhias pelos governos dos EUA, da França, da Alemanha, da Holanda e até de Portugal, durante a pandemia.
Na mesma toada, diferentes titulares do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) também prometeram o lançamento do programa de apoio com recursos do Fnac. As promessas se arrastaram, mas o tarifaço de Trump e a guerra no Irã seriam pontos de virada.
Em setembro do ano passado, uma nova linha foi anunciada, com validade estimada entre 2025 e 2026. Depois, em abril deste ano, já com a guerra em curso, um novo programa foi sugerido. Em junho, o Fnac foi finalmente utilizado.
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