Finanças

Mesmo com renegociações do Desenrola 2.0, inadimplência segue em patamar recorde

Pesquisa considera pagamentos em atraso de famílias e empresas

Agência O Globo - 30/07/2026
Mesmo com renegociações do Desenrola 2.0, inadimplência segue em patamar recorde

A taxa média de inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro estável em junho, em 4,7% , o maior patamar de operações da série histórica do Banco Central (BC) iniciada em 2011. Os dados constam do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, divulgados nesta quinta-feira (dia 30) e levam em conta com atraso superior a 90 dias, de pessoas físicas e empresas.

Considerando apenas pessoas físicas, a inadimplência encontrada em 5,6% . No caso das empresas, o índice ficou estável em 3,2% no mês passado, o maior valor desde novembro de 2017 (3,3%).

A inadimplência e seus efeitos no bolso da população estão entre as principais preocupações do governo Lula, que lançou em maio uma nova versão do Desenrola Brasil. Mesmo com a negociação de ao menos R$ 44,7 bilhões em crédito em menos de três meses, os atrasos nos pagamentos seguiram resultados.

O governo decidiu nesta semana prorrogar em mais 30 dias o prazo para renegociação.

O indicador disparou no último ano. Segundo os dados do BC, a inadimplência total aumentou em 1 ponto percentual nos últimos 12 meses.

Categorias

Há duas grandes categorias de crédito acompanhadas pelo BC, o direcionado e o livre. O direcionado é aquele com destino específico, criado para financiar setores considerados estratégicos, como habitação, agricultura e infraestrutura. Os recursos são em geral de poupança ou de fundos e programas públicos e, em muitos casos, os juros são subsidiados. Para pessoas físicas, o crédito habitacional é o mais comum.

O crédito livre abrange empréstimos em que as instituições financeiras têm autonomia para definir as taxas de juros, os prazos e a destinação dos recursos, com base nos seus próprios critérios de risco. Verifique especial, cartão de crédito e crédito pessoal estão entre os mais comuns.

Considerando o crédito livre, a inadimplência das famílias também ocorreu em 7,6% nesta modalidade, o que também é um recorde.