Finanças

Desenrola: ministro da Fazenda confirma prorrogação até 31 de agosto

Versão atual para as famílias já renegociou mais de R$ 22 bilhões em dívidas

Agência O Globo - 28/07/2026
Desenrola: ministro da Fazenda confirma prorrogação até 31 de agosto
O ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: © Foto / Washington Costa / Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta terça-feira a prorrogação da atual edição do Desenrola, que permite a renegociação de dívidas bancárias, até o dia 31 de agosto, fim do prazo da medida provisória (MP) que criou o programa. A informação foi antecipada pela Move Brasil.

O Desenrola 2.0, lançado em maio, estava originalmente previsto para acabar no próximo dia 3 de agosto. A prorrogação ocorre também a pedido dos bancos, que avaliam ter ainda mais demanda para a medida.

Durigan ainda afirmou que a decisão não demandará novos aportes no Fundo de Garantia de Operações (FGO), que cobre eventuais calotes, e não contará com novas restrições ou alterações.

– Esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para que as pessoas que hoje estão tendo de acessar os programas de moto e carro possam resolver eventuais pendências previamente, utilizando o Desenrola, para depois se enquadrar nas condições para as operações de carro e moto e também poderem fazer jus a essas obrigações – afirmou o ministro.

Segundo ele, com mais esse mês do programa, o governo deve atingir 10 milhões de famílias beneficiadas.

Até o último dia 23, foram renegociados R$ 22 bilhões em dívidas, totalizando 3,6 milhões de operações. Após os descontos, o volume dessas dívidas caiu para cerca de R$ 4 bilhões.

Esses números referem-se ao programa para dívidas de pessoas físicas no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), contratados até 31 de janeiro de 2026 e com atrasos entre 91 dias e 2 anos. Os participantes podem obter descontos de até 90%, com taxa máxima de juros de 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses para pagamento.

O desenho prevê a possibilidade de utilização de parte do saldo do FGTS para amortização parcial ou quitação das dívidas, mas a opção está sendo pouco utilizada. Até o momento, foram feitas 110 mil operações, com valor utilizado de apenas R$ 62,2 milhões.

O Desenrola foi recriado em um contexto de alta do endividamento e elevado comprometimento da renda das famílias, que, na visão do governo, estava gerando outros riscos para a economia no médio e longo prazos – e vinha impactando negativamente a popularidade presidencial.

A lógica do programa é que os bancos renegociem os débitos e abram uma nova dívida, menor para as famílias, com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), o que reduz o risco de inadimplência para as instituições, ao mesmo tempo em que, a médio prazo, recupera a capacidade de consumo das famílias.

Posteriormente, o governo criou uma versão do Desenrola para pessoas em dia com suas dívidas. Rejeitado pelos bancos privados, o programa ainda não decolou. Mesmo os bancos públicos não estariam tão agressivos nesse segmento quanto o governo gostaria, segundo um interlocutor.

Já na versão para as empresas, o programa já renegociou R$ 25 bilhões em dívidas, totalizando 200 mil operações. A grande maioria foi via Pronampe, com R$ 23,4 bilhões.