Finanças

Prévia da inflação desacelera para 0,06% em julho

Número veio bem abaixo do projetado por analistas de mercado, que esperavam alta de 0,22%, e é o menor para o mês em três anos

Agência O Globo - 28/07/2026
Prévia da inflação desacelera para 0,06% em julho
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 ( IPCA-15 ), que mede a previsão da inflação do Brasil, ficou em 0,06% em julho, após registrar alta de 0,41% no mês anterior. O número, divulgado nesta terça-feira (dia 28 ) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ), veio abaixo da expectativa dos analistas de mercado, que projetavam 0,22% , e é o menor para o mês desde julho de 2023 , quando caiu 0,07% .

No ano, o índice acumulado foi alto de 3,51% , enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 4,52% , abaixo dos 4,80% observados na divulgação anterior, e mais próximo do teto da meta imposta pelo Conselho Monetário Nacional ( CMN ) em 3% , com ponto percentual de 1,5 para cima ou para baixo. Em julho de 2025 , o IPCA-15 foi de 0,33% .

O grupo responsável por puxar o resultado para baixo este mês foi o dos alimentos. A alimentação no domicílio teve recuo de 1,14% em julho, refletindo quedas nos preços do tomate ( -19,95% ), da batata-inglesa ( -10,03% ) e do café moído ( -3,13% ). Já no lado das altas, destacam-se a cebola ( 7,10% ) e o pão francês ( 0,65% ).

O índice só não veio ainda menor por conta da energia elétrica, que subiu 3,03% , sendo o principal impacto individual no resultado do mês. Esse movimento é explicado pela vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1.885 para cada 100 Kwh consumidos, além de reajustes tarifários em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.

Também teve alta o grupo de saúde e cuidados pessoais (0,28%), com os preços dos produtos de higiene pessoal subindo. O perfume, por exemplo, teve alta de 1,74%. O plano de saúde também contribuiu para o resultado, subindo 0,42%, após reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Embora o grupo de transportes tenha subido em relação ao mês anterior, com alta de 11,70% da passagem aérea, os combustíveis caíram 0,90%, com todos apresentando queda: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%).

Uma desaceleração da inflação também apareceu no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda, que mostrou uma redução da projeção para o IPCA de 2026 pela quarta semana consecutiva, agora para 5,12%. O número, segundo analistas, refletiu menor pressão do conflito no Oriente Médio, além dos efeitos da política monetária.