Finanças
FMI diz que tarifas devem ter impacto modesto no Brasil
Relatório de panorama da economia brasileira afirma ainda que governo deveria promover ajuste nos gastos públicos para permitir taxas de juros mais baixas
O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou em relatório nesta quinta-feira que a economia brasileira tem se mostrado resiliente nos últimos anos, apesar de sucessivos choques, incluindo as recentes tensões comerciais globais. Para o órgão, apesar da possibilidade de mais uma tarifa aplicada ao Brasil, de 12,5%, para além da de 25% sancionada na semana passada, “espera-se que o potencial impacto macroeconômico seja modesto”.
FMI elogia Pix:
Casa Branca:
De acordo com dois documentos divulgados hoje — a consulta anual do Artigo IV e a avaliação do setor financeiro, de sigla FSAP —, os ganhos desse rearranjo global com a aplicação de tarifas podem ser “mais do que compensados pelos efeitos indiretos negativos decorrentes da incerteza sobre as políticas econômicas globais”.
Segundo o FMI, como as exportações para os EUA representavam menos de 2% do PIB antes dos aumentos das tarifas e as exportações para outras regiões cresceram, o impacto macroeconômico direto das tarifas no Brasil foi limitado.
“O aumento das exportações de soja para a China desempenhou um papel central” no processo de menor impacto na balança comercial brasileira e no déficit atenuado nas transações correntes do país.
Notável resiliência
O órgão lembrou que, em agosto do ano passado, a tarifa efetiva aos produtos brasileiros — incluindo aqueles isentos — foi de 29,1%, acima da tarifa média dos EUA para outras economias.
O status de exportador líquido de petróleo e a alta participação de fontes renováveis em sua matriz energética fez o Brasil registrar uma “notável resiliência” diante do choque da commodity causada pelo conflito no Irã. Por conta deste perfil, o FMI projeta que o país cresça 2,4% em 2026 “em meio a termos de troca positivos associados a preços globais de petróleo mais elevados” e aos estímulos fiscais.
O órgão afirmou ainda que as tarifas, apesar de romperem com as cadeias globais de suprimento e promover inflação, podem fazer o Brasil “experimentar efeitos modestamente positivos de desvio de comércio”, como o de produtos agrícolas.
O FMI afirmou ainda que o país precisa enfrentar o que chamou de “esforço fiscal mais ambicioso”, a fim de colocar a dívida pública em uma trajetória “firmemente descendente e abrir espaço para investimentos prioritários”.
O comitê de avaliação ressaltou ainda que “uma postura fiscal mais firme apoiaria a desinflação e abriria caminho para taxas de juros mais baixas”. Se o esforço fiscal ficar aquém do previsto, disseram, o governo poderia criar um aumento da incerteza e intensificar pressões inflacionárias.
As perspectivas para o crescimento, apesar de positivas, podem ser alteradas diante da “elevada incerteza global” ocasionada pelo conflito. Para o Fundo, uma possível escalada das tensões no Oriente Médio podem elevar a inflação e, “por meio de condições financeiras mais restritivas e de uma menor demanda global, reduzir a atividade econômica”.
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