Finanças
Tarifaço dos EUA: governo Lula anuncia socorro de R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas
Taxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vendidos para mercado americano entra em vigor nesta quarta-feira
O governo federal anunciou nesta quarta-feira (dia 22), data em que começa a valer o novo tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, um socorro de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para atender as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas e pelas incertezas do cenário internacional.
A taxa adicional de 25% adotada pelo governo Donald Trump deve atingir 15% da pauta exportadora do Brasil para solo americano ou US$ 5,8 bilhões, considerando o volume de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Além das empresas afetadas pelo tarifaço, a linha de socorro vai atender:
Empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
Setores considerados pelo governo como estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país, entre eles fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.
'Decisão abrupta'
Ao discursar no evento, Lula disse que o Brasil não irá sair da mesa de negociações, mas afirmou que não houve reciprocidade por parte dos EUA nas conversas.
– Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo – disse.
Lula afirmou acreditar que o Brasil pode sair fortalecido após a medida.
– Todos nós, desde que entendemos as primeiras palavras, ouvimos a frase 'há males que vêm para o bem'. Na política, a sociedade sempre encontra um jeito de sair mais forte. Na economia, também provamos que precisamos encontrar saídas para as crises. Estamos demonstrando, com o Brasil Soberano III, que não há crise que impeça o Brasil de continuar crescendo – disse o petista.
O presidente afirmou que o pacote de socorro demonstra que não há crise que impeça o país de seguir com a sua economia crescendo.
– Mesmo com a decisão abrupta do governo americano, de achar que a taxação que fez sem conversar com ninguém, ninguém ia achar que o mundo ia ruir. As pessoas estão aprendendo a ser mexer e conversar com outras pessoas que pareciam não saber conversar, aprendendo outros idiomas e conhecendo outras moedas – ressaltou.
R$ 13,5 bi do Tesouro
Do total previsto para o chamado "Plano Brasil Soberano III", serão R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo está utilizando recursos que já foram mobilizados pelo BNDES e que não foram utilizados.
De um programa que já está pronto e acabado. Vamos ouvindo os setores.
Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que como há setores diferentes na medida, cada linha de crédito será regulamentada com requisitos diferentes. Essa regulamentação vai definir, por exemplo, a necessidade de manutenção de empregos durante o período de contratação do crédito.
– Regulamentação vai sair no curtíssimo prazo – garantiu.
Juros
Segundo o governo, as linhas de crédito terão juros de 3% ao ano, no caso de minerais críticos, a 9,80% ao ano para capital de giro para grandes empresas. São taxas subsidiadas porque os juros serão abaixo dos praticados normalmente no mercado.
– Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas – disse o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
O plano de aplicação será elaborado pelo BNDES e submetido à apreciação e à aprovação de um conselho interministerial, cuja composição e funcionamento serão definidos por decreto. O mecanismo permitirá direcionar os financiamentos conforme os impactos enfrentados por cada setor e com sua relevância estratégica para a economia e o comércio exterior brasileiro.
Prioridade
O auxílio às empresas atingidas é tratado como prioridade pelo governo, embora o impacto macroeconômico da medida seja considerado pequeno, e também atende aos apelos do setor privado. Segundo o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, os setores mais prejudicados são madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.
– A linha três do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado – disse Márcio Elias Rosa, citando a nova taxa de 10% a 12,5%, que deve ser anunciada pelos EUA nesta semana e valer para mais de 60 países, incluindo o Brasil.
O ministro da Fazenda havia prometido que o reforço financeiro da terceira fase do Brasil Soberano seria mais modesto que as anteriores. Na primeira versão, em agosto de 2025, o governo bancou uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para os exportadores atingidos, que, no início deste ano, foi reforçada com mais R$ 15 bilhões. O primeiro pacote também tinha medidas de alívio tributário para os afetados e a facilitação de compra dos excedentes das empresas prejudicadas pela União, estados e municípios.
Outras medidas
Além da expansão do crédito, os empresários ouvidos pelo governo pediram outras medidas para amenizar o impacto financeiro da política protecionista dos Estados Unidos. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) pediu, por exemplo, o aumento do percentual do Reintegra, programa que devolve parte do imposto retido ao longo da cadeia para o exportador.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Calçadistas (Abicalçados) solicitou maior proteção dos produtores nacionais frente à inundação de importados asiáticos, principalmente via salvaguardas comerciais.
Na cerimônia no Palácio do Planalto, Lula também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões, o "Brasil Soberano 2".
O socorro a cada tarifaço
Agosto de 2025
Brasil Soberano – programa foi lançado na esteira do tarifaço de 50% anunciado por Donald Trump no ano passado, com orçamento de R$ 30 bilhões.
Março de 2026
Brasil Soberano 2 – Governo criou segunda versão do programa com linha de R$ 21 bilhões, dos quais R$ 15 bilhões são oriundos do Tesouro e R$ 6 bilhões do BNDES. O foco era atender empresas afetadas pelo tarifaço e também pelo conflito entre EUA e Irã.
Julho de 2026
Entra em vigor nova tarifa de 25% de Trump sobre produtos brasileiros, e governo anuncia reforço de R$ 18,5 bilhões.
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