Finanças

Impacto de tarifa dos EUA sobre o Brasil deve ser menor que o esperado, dizem economistas do Itaú Unibanco

Alíquota efetiva mais baixa e redirecionamento de exportações reduzem efeito sobre atividade

Agência O Globo - 21/07/2026
Impacto de tarifa dos EUA sobre o Brasil deve ser menor que o esperado, dizem economistas do Itaú Unibanco
Itaú - Foto: Reprodução

Economistas do Itaú Unibanco avaliam que os impactos da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem ser mais limitados do que se temia inicialmente. Isso porque a alíquota efetiva tende a ser menor do que a observada no chamado “tarifaço” do segundo semestre de 2025, além de o Brasil ter demonstrado capacidade de redirecionar suas exportações para outros mercados.

— O Brasil é uma economia fechada e os Estados Unidos já não são mais o “top” parceiro comercial do país. O efeito direto sobre atividade e inflação é bem mais reduzido do que se temeu lá atrás — diz o economista Pedro Schneider.

No começo de julho, os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com início previsto para 22 de julho. A medida veio acompanhada de uma lista de exceções que inclui itens relevantes da pauta exportadora do Brasil, como carne e suco de laranja, o que ajuda a suavizar o impacto.

Mesmo assim, o país passará a enfrentar uma das tarifas mais elevadas impostas pelos americanos, ficando atrás apenas da China, segundo estimativas da iniciativa Global Trade Alert, que monitora acordos comerciais e sobretaxas americanas no mundo.

A economista Julia Gottlieb, também do Itaú Unibanco, diz que, ao incluir possíveis sobretaxas adicionais (como uma alíquota extra de 12,5% relacionada à suposta compra, pelo Brasil, de bens produzidos em outros países com uso de trabalho forçado), a tarifa efetiva média sobre os produtos brasileiros ficaria em torno de 20%. Ou seja, o patamar segue inferior aos cerca de 30% do segundo semestre do ano passado:

— O que vimos no segundo semestre do ano passado é que houve uma queda relevante das exportações do Brasil para os Estados Unidos, mas você teve uma capacidade de realocação desses fluxos. Aumentou muito a exportação para outros destinos. Acabou que nem teve queda de quantidade exportada. Vai ter setores que vão ser mais prejudicados do que outros. O impacto macro acaba não sendo tão grande, mas é heterogêneo entre os setores.

Nos Estados Unidos, o contexto político é de eleições de meio de mandato, o que aumenta a sensibilidade à inflação, diz Schneider, especialmente em relação aos preços do petróleo, que podem ser impactados pela guerra contra o Irã.

— Inflação é um tema que sufoca politicamente qualquer governo. Então tem, por um lado, uma vontade do governo americano de não escalar (a guerra), mas por outro, o governo do Irã tem insistido em manter o controle do Estreito de Ormuz. Manter o controle pode significar tarifas, pedágios. É um prêmio de risco sustentado para o preço do petróleo. A nossa projeção incorpora o petróleo em US$ 80 no fim deste ano.

O Itaú Unibanco avalia que o Federal Reserve deve elevar os juros em setembro e outubro, o que tende a fortalecer o dólar e pressionar moedas emergentes, como o real. Já no Brasil, a expectativa é de um crescimento da economia no primeiro semestre, porém mais moderado no segundo semestre, refletindo menor estímulo fiscal e desaceleração do crescimento da renda.

Há ainda sinais “incipientes” de estabilização no mercado de trabalho, que vem pressionando a inflação de serviços. Para o IPCA, o Itaú projeta um índice próximo, mas ainda acima da meta, de 5,4% para 2026. Além disso, a expectativa é que haja mais uma queda de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, chegando a 14% até o final do ano.