Finanças
Governo começa a ouvir setores afetados por tarifaço de Trump para definir tamanho da ajuda
Reuniões coordenadas pelo Ministério da Indústria começam nesta segunda-feira e servirão para calibrar pacote de apoio às empresas
O governo federal inicia nesta segunda-feira uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os encontros, que serão coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), têm como objetivo dimensionar os prejuízos provocados pela medida e servirão de base para a definição do pacote de apoio às empresas exportadoras. As tarifas dos EUA entram em vigor na quarta-feira.
Tarifaço:
CNA:
A orientação do governo é ouvir individualmente os segmentos atingidos para mapear perdas de contratos, riscos para a produção, impactos sobre empregos e necessidade de crédito. A partir desse diagnóstico, a equipe econômica pretende calibrar o alcance das medidas de socorro, que deverão respeitar as limitações fiscais e priorizar os setores mais vulneráveis.
Durigan:
As reuniões ocorrem poucos dias após o anúncio de que o Executivo estruturará um programa de apoio às empresas afetadas pela decisão do presidente americano. Entre as alternativas em estudo estão a ampliação de instrumentos já existentes do Plano Brasil Soberano, novas linhas de financiamento, reforço às ações de promoção comercial e iniciativas para acelerar a abertura de mercados alternativos às exportações brasileiras.
A avaliação do governo é que ainda não há um retrato preciso dos impactos da sobretaxa sobre cada cadeia produtiva. Por isso, a estratégia será construir as medidas em conjunto com representantes do setor privado antes de anunciar o volume de recursos e os mecanismos que serão utilizados.
Impacto:
Na última semana, o ministro da Fazenda afirmou que o governo não deixará empresários, agricultores, caminhoneiros e trabalhadores "na mão", mas ressaltou que qualquer ação será tomada de forma criteriosa e em consonância com o compromisso fiscal. Segundo ele, a prioridade é proteger os setores atingidos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
Míriam Leitão:
Entre os segmentos que deverão participar das reuniões estão indústrias mais dependentes do mercado americano, como máquinas e equipamentos, madeira, móveis, papel, calçados, plásticos e outros setores exportadores. O governo pretende identificar quais cadeias sofrerão os maiores impactos para definir a intensidade das medidas de apoio.
Paralelamente ao diálogo com o setor produtivo, o Brasil mantém conversas com autoridades americanas e estuda os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e na Organização Mundial do Comércio (OMC), embora a avaliação seja de que uma eventual reação comercial dependerá da evolução das tratativas bilaterais.
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