Finanças
Negociar tarifaço não será prioridade do governo brasileiro antes das eleições, diz ex-secretário do Comércio Exterior
Welber Barral acredita que discussões para um acordo com Estados Unidos podem ficar para o ano que vem. Já ex-ministro da Fazenda destaca que tarifas de Trump têm motivação político-ideológica contra o presidente Lula.
As negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas não serão prioridade e talvez tenham que esperar até o ano que vem para maiores avanços. É o que pensa Welber Barral , ex-secretário de Comércio Exterior e consultor da BMJ. Na sua visão, o governo brasileiro deve seguir com foco nas eleições, enquanto os EUA devem dar preferência à divulgação com outros países.
Tarifas de Trump:
Impacto:
— O Brasil não é prioridade para os Estados Unidos. Eles estão com várias negociações pendentes com a Europa, com a China, sem falar dos problemas geopolíticos. Por outro lado, a agenda brasileira será muito distinta para as eleições nesse segundo semestre. Então não há muita mobilização do Congresso. E alguns temas, como no caso de terras raras, o Executivo brasileiro tem que negociar com o Congresso — designado.
Segundo ele, o Brasil deve aplicar a Lei da Reciprocidade como forma de retaliação, mas não será um processo rápido, já que é necessário abrir consulta pública e submeter o caso à análise da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que avalia os impactos e define uma eventual ocorrência brasileira.
— As negociações continuarão, mas serão mais longas. Não deve haver resultados para este ano — projetou. — O Brasil vai ameaçar, os Estados Unidos vão ameaçar. Isso faz parte do próprio processo de negociação. E deverá continuar por algum tempo. Pode haver um aumento na lista de propostas, pode haver uma redução da tarifa. Lembrando que não é apenas o Brasil, os Estados Unidos estão adotando essas medidas contra vários países.
Tarifas têm motivação política
Para o diplomata Rubens Ricupero , ex-ministro da Fazenda e embaixador do país em Genebra, Washington e Roma, tanto nas declarações do presidente Donald Trump quanto nas de Marco Rubio, secretário de Estado, ficou claro que as tarifas foram aplicadas por motivos político-ideológicos contra o presidente Lula. Para ele, o Brasil tentará compensar as perdas comerciais em outros mercados.
— Hoje em dia, felizmente, nossos principais mercados estão na Ásia (cerca de 50%), incluindo China, Japão, Coreia do Sul, Malásia, Indonésia e Índia, que especificamente a região mais dinâmica em termos de crescimento econômico e demográfico — diz.
Ele afirma que, levando em conta os mercados dos 27 países europeus, a Argentina e o Mercosul, o México, o restante da América Latina, além do Canadá e dos países africanos, existem boas perspectivas de diversificação.
— Quanto ao mercado dos Estados Unidos, penso realisticamente que será preciso esperar uma era pós-Trump, não muito distante, para ter alguma esperança de um mínimo de normalização e de volta a negociações e relações comerciais mais benéficas — disponível.
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