Economia
Real cai, mas tem melhor performance entre as principais divisas globais
O real registra o melhor desempenho entre as principais divisas globais nesta quarta-feira, 30. Apesar de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter assinado decreto que implementa tarifa de 50% ao Brasil, uma longa lista de exceções e o fato de que a aplicação só ocorrerá daqui sete dias - prazo maior do que o inicial, de 1º de agosto -, em tese abre margem para mais negociações. Ainda assim, a Lei Magnitsky dos EUA contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes gera certa cautela que, aliada com a valorização global do dólar, por fim empurrou a moeda brasileira para baixo.
Com mínima de R$ 5,5397 e máxima de R$ 5,6303, o dólar à vista fechou em alta de 0,35%, a R$ 5,5892. O índice DXY, que mede o dólar contra seis pares fortes, subia cerca de 0,92% por volta das 17 horas, ilustrando a valorização global do dólar.
Depois de a moeda americana subir por toda a manhã, a volatilidade permeou os negócios na segunda etapa do pregão. Primeiro a máxima de R$ 5,6303 veio no início da tarde, com a notícia de que os EUA aplicaram a Lei Magnitsky - de sanções - contra o ministro Alexandre de Moraes, em um sinal de escalada na tensão entre os países. Depois, também seguia em alta quando Trump firmou ordem para aumentar a tarifa de 10% a produtos brasileiros para 50%.
Contudo, na lupa, o documento americano mostrou que o início das tarifas foi prorrogado para daqui sete dias, com vigor apenas no dia 6 de agosto. "Será que isso não deixa o Brasil ter mais dias para negociar? Já que antes o prazo era 1º de agosto", questiona o diretor de pesquisa econômica do banco Pine, Cristiano Oliveira.
Além disso, foi divulgada uma lista extensa de exceções quanto ao nível de alíquota, como produtos de aviação civil e algumas categorias de aviões e helicópteros; categorias de minério de ferro e estanho; gás natural liquefeito e algumas categorias de petróleo; castanha-do-pará, polpa de laranja e categorias de sumo de laranja; entre outros. Café e carne, no entanto, estão fora da série de isenções.
Com estas duas notícias, o dólar conseguiu voltar a cair ante o real. Ainda assim, o movimento não se sustentou.
Na avaliação do economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, o maior fator para a alta do dólar ante o real no fim do pregão foi o "efeito Powell", que reforçou que a decisão sobre juros para setembro ainda não foi tomada, e o DXY "subindo muito".
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