Curiosidades

'Sessão de Terapia' chega à sexta temporada focado em problemas contemporâneos

Novos episódios serão lançados no Globoplay na sexta; 'A série fica cada vez mais relevante', diz Selton Mello

Agência O Globo - 19/05/2026
'Sessão de Terapia' chega à sexta temporada focado em problemas contemporâneos
- Foto: Reprodução / Instagram

A atriz Bella Camero precisou fazer um curioso “ajuste” na vida pessoal ao longo da gravação da nova temporada de , que estreia na próxima sexta no Globoplay. Dado o grau de estresse e neurose de sua personagem, Ingrid — uma viciada no trabalho e obcecada em ter aprovação —, a atriz passou a evitar encontrar os amigos logo depois das gravações das cenas. Levava um tempo até conseguir abstrair a intensidade da personagem de 23 anos (dez a menos do que a atriz) que apresenta na pele, na fala e nos trejeitos os impactos de ser uma “workaholic” para valer.

— Eu cheguei em casa acelerada. Não que eu achasse que eu fosse a Ingrid, mas (ao longo das gravações) colocava meu corpo o tempo todo no estímulo, tinha de falar rápido, pensado rápido. Só de lembrar dela agora já estou aceleradíssima de novo — lembra a atriz. — O Selton me pediu para atravessá-lo, fale sobre as falas dele. E, quando eu percebia, fazia isso na vida real também.

Noca da Portela:

Almodóvar:

Bella é uma das novas faces que fará parte da sexta temporada do seriado. Além dela, também chegam as atrações Olivia Torres (na personagem Érica), Alice Carvalho (Morena), Paulo Gorgulho (Ulisses) e Grace Passô (Rosa Gabriel). Nos episódios, volta a assumir o papel do psicanalista Caio Barone, além do trabalho de direção.

Rápidos cochilos

Para dar um intervalo na “carga mental” necessária para dar conta dessa rotina intensa, Selton já contou que tira rápidos cochilos nos intervalos das gravações. Foi antes de um desses breves momentos de descanso que o ator recebeu a reportagem do GLOBO, durante a gravação da atual temporada.

— Quando aponto a câmera para mim, eu faço meu lado assim (estala os dedos, demonstrando rapidez). É na vez dos outros atores que eu fico curtindo o trabalho, quero que todos arrebentem. Do protagonista a quem faz uma cena apenas, quero que todos se arrasem. Amo fazer isso aqui — conta. — Já falei para o Globoplay e repito: por mim, vamos iguais à (série americana) “Grey's Anatomy”, com mais de 20 temporadas. Posso ficar velho fazendo.

Entre os desafios deflagrados pela nova temporada — e seus impressionantes 35 episódios — está a chegada de uma nova supervisora ​​para o trabalho de Barone. Chamada Rosa Gabriel, terapeuta vivida pela atriz Grace Passô desafia o personagem por sua franqueza e perguntas diretas. É com ela que Caio fala sobre seus pacientes, além do luto que vive pela morte da filha, entre outros temas desafiadores.

— Ela não “afofa”. A supervisora ​​manda umas diretas e ele não gosta. O fã da série vai pirar — afirma Selton. — A Grace é atriz, dramaturga, múltipla. Tem grandeza em cena, é muito poderoso.

Grace Passô, por sua vez, vê que a longevidade da série (os primeiros episódios, ainda no canal GNT, foram lançados em 2012) reflete “maturidade”. E, apesar de chegar em uma produção que já está nos trilhos, ela diz enxergar espaço para exploração e inventividade.

— É uma história que tem situações muito legais de trabalhar como atriz. Porque na atuação o trabalho que temos é de vasculhar o personagem. E, em cena, a terapia é também o momento em que as pessoas estão se vasculhando — opina. — É difícil você ser atriz e não querer estar em uma “Sessão de Terapia”. É uma série que tem uma centralidade na atuação. São duas pessoas conversando que vão se revelar ao longo desta troca.

Há, inclusive, uma preocupação de que a evolução do paciente respeite a cadência da série, sem mudanças muito abruptas. É preciso que uma jornada das figuras em análise se desenrole em sete episódios de cerca de meia hora cada, mas que reflita um período muito maior de tempo.

— Quem assiste acredita naquele processo terapêutico, sem forçar a barra. É o que seriam processos de um ou dois anos na vida real — conta o produtor Roberto d'Ávila.

Conflito contemporâneo

A dinâmica dos personagens da temporada mira em conflitos contemporâneos, como a necessidade desenvolvida de aprovação, a pressão da maternidade (e do implacável relógio biológico da mulher), o luto e o envelhecimento como tabu. Para chegar a cada um desses dramas, a roteirista Jacqueline Vargas mantém o olhar fixo em agruras de pessoas reais. A partir daí, puxe o fio de uma meada que chega aos personagens apresentados na tela do seriado.

— O Brasil é o país da teledramaturgia, ele gosta de falar e de ver as pessoas conversando, de ver histórias construídas. Vivemos em um país que quer saber do drama pessoal. E estamos em um momento em que as pessoas estão muito preocupadas com a conversa, de onde resolvem seus problemas — contate um roteirista. — A série vai na contramão de um tempo em que as coisas são feitas para não ter foco, para ter atenção fragmentada, para que o “sujeito” se distancie. O seriado, por outro lado, dá tempo para que o espectador reflita sobre a cena junto ao personagem. Esse tempo de pensar faz falta.

Selton vai além e enxerga em “Sessão de terapia” uma forma de ressaltar um tema incontornável aos nossos tempos: a saúde mental.

— A terapia é fundamental na minha vida. Já vivi depressão. Hoje temos a ginasta Rebeca Andrade, ganhando suas medalhas e agradecendo à terapeuta — diz. — A série vai ficando cada vez mais relevante.

Selton, inclusive, está em um momento bastante movimentado na carreira após a campanha vencedora ao Oscar com “Ainda estou aqui”. O ator trabalhou, por exemplo, no longa “La Perra”, da chilena Dominga Sotomayor, que integra a atual Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes. Ainda nos projetos internacionais, ele também está em “Zero K”, do cineasta americano Michael Almereyda, adaptação do livro homônimo do americano Don DeLillo.