Curiosidades
Filho de Elis Regina rebate queixas de César Camargo Mariano sobre mudanças em disco
João Marcelo Bôscoli diz que cantora não gostava de ouvir em casa o álbum ‘Elis’, de 1973, que acaba de ser restaurado por seus herdeiros
A recém-lançada restauração digital do álbum “Elis” (de 1973, da cantora ), feita pelo seu filho, o produtor João Marcelo Bôscoli, junto com o engenheiro de som Ricardo Camera, deu o que falar este fim de semana. Diretor musical, arranjador e pianista do disco (além de marido de Elis entre 1973 e 1981), César Camargo Mariano foi às redes sociais .
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César acusou os dois de terem antecipado a entrada de um teclado em quatro compassos em “É com esse que eu vou”, de incluírem uma guitarra em “Doente, morena”, de executarem um corte súbito na voz em “Oriente” e de exagerarem a percussão em Caçador de esmeraldas”. “Tristeza por ouvir todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estudados e muito bem pensados por nós, jogados no lixo”, escreveu o músico.
Ao GLOBO, João deu ontem sua visão sobre as críticas:
— César é um gênio do piano e dos arranjos. Sem dúvida nenhuma, ele está na história da música brasileira, tem contribuições que transcendem a Elis. Mas nós (ele e os filhos de Elis com César, os cantores Pedro Mariano e Maria Rita) somos os herdeiros, a gente tem que tomar decisões. E a gente tomou — diz. — A gente não está fazendo cinco relançamentos por mês, sem critério. A gente fica um ano e meio (em cada um), como ficamos agora, restaurando, querendo fazer o melhor. A versão original do disco está lá (nas plataformas de streaming), preservada. E agora tem a nova.
Segundo João Marcelo Bôscoli, o “Elis” de 1973 era um dos discos cujo áudio menos o satisfazia (e, segundo ele, tampouco aos fãs e à própria mãe).
— O som que a Elis Regina ouvia no estúdio, ela não ouvia depois no álbum em casa, ela não gostava de ouvir os álbuns. Certa vez, numa audição na EMI Odeon, em algum momento ela foi apresentada ao cara que fazia o corte (etapa em que a música é transferida da fita master para a matriz do LP). E o que ela falou? “Ah, então você é a pessoa que corta o meu barato!” — conta ele, garantindo que respeitou a estrutura musical do disco em seu trabalho. — Para que a gente pegaria um compasso de um teclado e arrastar para outro lado, em uma música que tem mudança de acorde a cada compasso? Isso não aconteceu, a gente não faria isso, da mesma forma que a gente não botou Auto-Tune na voz da Elis.
No domingo, Pedro Camargo, filho de César, também publicou no Instagram um texto, garantindo que “não houve falta de respeito, critério e carinho em nenhuma etapa”.
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