Cidades
Defensoria Pública cobra medidas da Vale Verde por danos causados em Craíbas
Em reunião com Governo de Alagoas e mineradora, órgão exige soluções para rachaduras e tremores que afetam famílias no Agreste
A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) convocou, nesta sexta-feira (8), uma reunião estratégica com representantes do Governo Estadual e da mineradora Vale Verde Alagoas. O objetivo central do encontro foi exigir providências imediatas e concretas para sanar os graves impactos que a atividade minerária vem causando à população de Craíbas, no Agreste alagoano.
O encontro foi liderado pelo defensor público-geral, Fabrício Leão Souto, e pela defensora Brígida Barbosa. A mesa de negociações contou com a presença do secretário-chefe do Gabinete Civil, Felipe Cordeiro, além de técnicos do Instituto do Meio Ambiente (IMA), da Secretaria da Fazenda e do diretor jurídico da mineradora, Pedro Henrique Oliveira.
Rotina de medo e insegurança
Há meses, os moradores da região convivem com um cenário de instabilidade. Relatos apresentados à Defensoria detalham o surgimento de rachaduras estruturais nas residências, tremores de terra frequentes, poluição sonora e excesso de poeira. A sensação de insegurança sobre a estabilidade dos imóveis é a principal queixa de quem vive no entorno da exploração.
"A população quer desenvolvimento para a cidade, mas não aceita perder o direito de viver com dignidade e segurança", destacou a defensora Brígida Barbosa durante a reunião.
Histórico de ações e transparência
A atuação da DPE/AL no caso não é recente. Desde 2024, o órgão realiza visitas técnicas e audiências públicas para documentar os danos. O cerco jurídico contra os transtornos já resultou em vitórias importantes para a comunidade:
Canais de Denúncia: Em março deste ano, uma liminar obrigou os municípios de Craíbas e Arapiraca a criarem canais oficiais para que os cidadãos registrem ocorrências ligadas à mineração.
Prestação de Contas: Uma decisão judicial recente exige que a Prefeitura de Craíbas apresente as contas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e elabore um plano de investimento específico para socorrer as famílias atingidas.
A reunião desta sexta-feira marca mais um passo na tentativa de garantir que o crescimento econômico gerado pela extração mineral não ocorra às custas do bem-estar e do patrimônio dos cidadãos alagoanos.
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