Cidades
Comerciantes do Mercado da Produção vivem dias de desespero após retirada para reforma sem garantias do prefeito JHC
Sem informações claras sobre realocação, prazo de retorno e preservação dos pontos adquiridos com recursos próprios, trabalhadores cobram diálogo direto do prefeito JHC e alertam para risco de colapso financeiro de centenas de famílias.
Os comerciantes do tradicional Mercado da Produção, em Maceió, vivem um dos momentos mais angustiantes de sua história recente. Retirados às pressas de seus pontos de venda pela Prefeitura de Maceió, sob a gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC), para dar início a uma reforma considerada “toque de caixa”, os trabalhadores denunciam a ausência total de garantias, informações oficiais e diálogo com o poder público.
Segundo relatos, muitos permissionários investiram recursos próprios para adquirir e estruturar seus espaços, que agora estão sendo desocupados sem qualquer documento formal que assegure o retorno ao mesmo ponto, em condições dignas e dentro de um prazo definido. O temor é claro: perder o local de trabalho, a clientela construída ao longo de anos e a própria fonte de sustento.
“Disseram que iam arrumar um lugar para eu ficar, mas minhas coisas estão na porta da loja. Não tem lugar para colocar nada. Essa é a preocupação de todo mundo: sair sem ter para onde ir”, desabafa uma comerciante.
Outro trabalhador relata que muitos foram deslocados para áreas menos visíveis e com menor circulação de clientes, apesar de terem adquirido pontos considerados privilegiados dentro do mercado. “A gente comprou esses pontos aqui na frente. Agora jogaram a gente para trás. De boca até papagaio fala.
A gente quer garantia, não promessa”, afirma.
Famílias ameaçadas pela paralisação das atividades
O impacto social da medida é imediato. Centenas de pais e mães de família dependem exclusivamente do comércio no mercado para pagar aluguel, escola dos filhos, alimentação, contas básicas e dívidas. A interrupção das atividades por poucos dias já representa um cenário dramático.
“Se a gente passar 15 dias sem trabalhar, as contas pesam. Tem gente que vai bater na nossa porta para cobrar. Como é que vamos pagar sem trabalhar? A gente não quer luxo, quer um lugar digno para garantir o pão de cada dia”, relata um comerciante.
Os trabalhadores temem que, sem um acordo formal, muitos acabem sendo simplesmente “apagados” do mapa comercial do mercado, mesmo após 10, 15 ou até mais anos de atuação no local.
“Não é simplesmente tirar a gente e desaparecer com nosso ponto. Temos história aqui. Não podemos aceitar isso”, reforça outro permissionário.
Silêncio do prefeito aumenta a tensão
O principal foco de indignação dos comerciantes é a ausência de posicionamento direto do prefeito JHC. Segundo os trabalhadores, até o momento não houve nenhuma reunião com o gestor municipal.
O único contato ocorreu por meio de secretários e alguns vereadores, mas sem garantias concretas, cronograma definido ou documento formal.
Conhecido por se comunicar quase exclusivamente pelas redes sociais, o prefeito tem evitado entrevistas, coletivas ou diálogo direto com os afetados. Para os comerciantes, o silêncio institucional só amplia a insegurança e o sentimento de abandono.
“Prefeito, a gente precisa lhe ouvir. Precisa confiar na sua palavra. Até agora não tivemos nenhum contato com o senhor. São só incertezas. A gente quer que o senhor diga claramente o que vai acontecer”, apelou uma das lideranças do grupo.
Os trabalhadores pedem, com urgência, a marcação de uma reunião oficial com o prefeito para discutir:
Garantia formal de retorno aos pontos originais ou equivalentes;
Definição de prazo para conclusão da reforma;
Local provisório adequado para manutenção das vendas;
Preservação dos investimentos feitos pelos permissionários;
Segurança jurídica para que ninguém seja prejudicado ou excluído.
Reforma sem planejamento social
Embora reconheçam a importância da modernização do mercado, os comerciantes criticam a forma como a intervenção foi conduzida, sem planejamento social, comunicação clara e proteção aos trabalhadores que sustentam o próprio equipamento público.
“Não somos contra a reforma. Somos contra sermos jogados no escuro, sem saber se teremos para onde voltar”, resume um comerciante.
Enquanto o silêncio do Executivo persiste, cresce a mobilização dos permissionários nas redes sociais e nos bastidores políticos, em busca de apoio, visibilidade e, sobretudo, respostas concretas.
O apelo é direto: diálogo, transparência e respeito a quem construiu, ao longo de décadas, a vida econômica e social do Mercado da Produção.
Nota da prefeitura
A Secretaria de Abastecimento, Pesca e Agricultura de Maceió (Semapa) informa que o processo de realocação dos permissionários do Mercado da Produção, de forma provisória, é pautado pelo diálogo e transparência.
A Semapa destaca ainda que técnicos do órgão estão diariamente na região disponíveis para esclarecer dúvidas e atender a população.
O novo equipamento público que irá fortalecer a economia da cidade contará com acessibilidade, energia solar, reaproveitamento de água, praça de alimentação com palco para apresentações, instalação de câmaras frias, novos boxes internos, áreas climatizadas e espaços de convivência.
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