Brasil
Corte interamericana condena Estado brasileiro pelo desaparecimento de 11 jovens na Chacina de Acari
A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) responsabilizou nesta quarta-feira (4), o Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de 11 jovens, no evento conhecido como Chacina de Acari, ocorrida em julho de 1990, em Magé, na Baixada Flumine
Iniciado em outubro de 2023, o julgamento concluiu que 34 anos depois, o crime permanece impune, sem que tenha sido revelado o paradeiro dos jovens e seus algozes,
A corte também condenou o Estado brasileiro por discriminar, com base no racismo e preconceito social, o grupo "Mães de Acari", criado após a chacina pelas mães das vítimas desparecidas, e familiares que buscaram justiça e informação sobre os jovens ao longo do processo de investigação.
A Corte IDH determinou a continuidade das investigações, busca rigorosa do paradeiro dos jovens, ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional, criação de memorial no bairro de Acari e estudo sobre a atuação das milícias e grupos de extermínio no Rio de Janeiro.
Relembre o crime
Em julho de 1990, homens encapuzados e fardados invadiram um sítio em Magé e sequestraram oito adolescentes e três adultos, que moravam em Acari, e tinham ido passar o fim de semana no lugar. A dona do sítio e o neto conseguiram escapar e foram testemunhas do crime.
Dias depois o veículo utilizado para o sequestro foi encontrado queimado e com marcas de sangue. A PM concluiu que o crime fora praticado por PMs e policiais civis.
O processo penal foi arquivado em 2011 por ausência de provas e não houve reparação de danos materiais e morais aos familiares pelo Estado do Rio de Janeiro e o crime prescreveu.
Até hoje, não se sabe o que aconteceu com os jovens sequestrados Wallace Souza do Nascimento, Hedio Nascimento, Luiz Henrique da Silva Euzebio, Viviane Rocha da Silva, Cristiane Leite de Souza, Moisés dos Santos Cruz, Edson de Souza Costa, Luiz Carlos Vasconcellos de Deus, Hoodson Silva de Oliveira, Rosana de Souza Santos e Antonio Carlos da Silva.
Além do caso da Chacina de Acari, vários outros similares marcam a história contemporânea brasileira, como o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, 43 anos, no Rio, e de Davi Fiúza, de 16 anos, ambos em 2013, dentre outros.
Por Sputinik Brasil
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