Renúncia branca
É público e notório que a caneta da presidenta Dilma está sem tinta. Estrategicamente ficou encurralada quando entregou a articulação de seu segundo governo ao arrogante Mercadante que no início dos anos 90 tinha um perfil mais voltado à área econômica. Política, no sentido estrito da palavra nunca foi seu forte.
Sua indecisão em demitir o atrabiliário ministro reduziu suas chances de diálogo com o Congresso e agora ficou tarde qualquer movimento no sentido de aparar as arestas.
Doravante o PMDB comanda o Brasil. Na articulação política do governo, o vice-presidente Michel Temer, que agora é o "presidente de fato". No Congresso, nas duas casas também o PMDB lidera, com Cunha e Renan.
É o presidencialismo, sem presidente!
O antagonista eleitoral de Dilma, o senador Aécio Neves confirma esta leitura do momento político que passa o país: "Disse e reitero que a presidente fez uma renúncia branca, o que eu quero dizer de forma muito clara é o seguinte: ela não renunciou ao cargo, mas renunciou ao governo. Esse é o fato concreto. Nós vamos ter que viver a partir de agora essa nova experiência: do presidencialismo sem presidente".
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