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Um grande africanista
A Academia Brasileira de Letras sentirá muito a falta de Alberto da Costa e Silva, que nos deixou aos 92 anos de idade. Diplomata, poeta e historiador ocupava a cadeira nº 9 da ABL, tendo sido também por um período o seu eficiente presidente.
No Governo Sarney, exerceu a direção da Embaixada do Brasil em Portugal e organizou uma visita de imortais, de que temos a melhor das lembranças. Publicou nove livros sobre o continente africano, entre os quais: “A enxada e a lança: a África antes dos portugueses”, lançado em 1992, e “A manilha e o libambo: a África e a Escravidão, de 1500 a 1700”, que saiu dez anos depois.
Foi diversas vezes premiado com o famoso “Jabuti” e o “Camões”, mas ele costumava dizer que a sua maior láurea foi o título de doutor honoris causa da Universidade de Ifé, na Nigéria. Recebeu também o Troféu Juca Pato. Sua morte foi também lamentada pelo presidente Lula, que o qualificou como um dos mais importantes conhecedores da África existentes no Brasil.
Tinha orgulho de afirmar que seguia a trilha do pai, Antônio Francisco da Costa e Silva, poeta e funcionário público, que havia sido desconsiderado pelo Barão do Rio Branco, na carreira pública, segundo ele “por ser muito feio”. O nosso acadêmico nunca se conformou com essa agressão.
A sua curiosidade pela África surgiu depois de muitas leituras da obra de Gilberto Freyre. Depois de Lisboa, assumiu diversos encargos diplomáticos em Caracas, Washington e Madri. Na Nigéria ficou por cinco anos, mais tarde exercendo essa mesma função em Portugal, na Colômbia e no Paraguai. Atribui ao ex-governador Carlos Lacerda o estímulo para escrever sobre a experiência africana. Costumava afirmar que seguia a máxima de Goethe: “A cultura é a soma de poesia e história.”
Seus poemas sobre a esposa Vera, precocemente falecida, foram também premiados. Na década de 2.000 lançou “Um rio chamado Atlântico”. Em diversos textos condenou o racismo e defendeu as cotas racistas. Foi também memorialista, com livros como “O espelho do Príncipe” e “A invenção do desenho.”
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