Alagoas
“Não quer usar o SUS? Faça um plano de saúde”, dispara Júlio César após denúncias de caos em Palmeira dos Índios; veja vídeo
Declaração do ex-prefeito e atual secretário estadual provoca indignação ao minimizar reclamações da população e transferir a responsabilidade do atendimento público para o bolso do cidadão
A crise na saúde pública de Palmeira dos Índios ganhou um novo e polêmico capítulo após uma declaração do ex-prefeito e atual secretário de Relações Federativas Internacionais do governo, Júlio César. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele reagiu às denúncias de precariedade no atendimento do SUS no município — hoje administrado por sua tia, Luísa Júlia — e causou forte repercussão ao afirmar que quem não estiver satisfeito com o sistema público “procure um plano de saúde”.
A fala ocorreu em meio a relatos de mau atendimento, reclamações contra a estrutura da UPA e insatisfação de usuários e profissionais da área. Em vez de reconhecer os problemas ou cobrar providências da gestão municipal, Júlio César adotou um tom defensivo, atribuindo as críticas a interesses políticos e minimizando as falhas estruturais do sistema.
No vídeo, o ex-prefeito afirma que “todo lugar do Brasil tem problemas no SUS” e chega a comparar o sistema brasileiro com países como Estados Unidos e nações europeias, alegando que lá não existiriam atendimentos públicos gratuitos como no Brasil. Em seguida, solta a frase que mais gerou revolta:
“Não quer usar o SUS? Então é simples: faça um plano de saúde.”
A declaração foi interpretada como um desprezo à realidade da maioria da população, que depende do bolsa família e exclusivamente do SUS para consultas, exames, cirurgias e atendimentos de urgência. Em uma cidade marcada por desigualdades sociais, desemprego e renda limitada, a sugestão soou como uma transferência de responsabilidade do poder público para o cidadão.
Júlio César também saiu em defesa dos profissionais da saúde, dizendo que médicos, enfermeiros e equipes estariam “dando o seu melhor” e que não seria justo condená-los. Ao mesmo tempo, atacou críticos, chamando-os de oportunistas e acusando-os de usar a saúde pública como palanque político.
O problema, no entanto, vai além da defesa dos trabalhadores. A fala ignora o papel constitucional do Estado em garantir atendimento digno, eficiente e universal à população. Ao recomendar que o cidadão busque um plano privado, o ex-prefeito e atual secretário de governo praticamente admite a incapacidade — ou a falta de prioridade — da gestão em resolver os gargalos do sistema público.
Outro ponto que chama atenção é o contexto político: Júlio César, embora não seja mais prefeito, continua influente na cidade e ligado diretamente ao atual comando do Executivo municipal. A crítica pública de que sua tia “governa de faz de contas”, como já se comenta nos bastidores políticos, ganha ainda mais peso quando o próprio aliado não apresenta soluções, apenas transfere o problema para o bolso do contribuinte.
A declaração também acirrou o debate nas redes sociais, com moradores questionando: se todos tiverem que pagar plano de saúde, para que serve o SUS? Para onde vai o dinheiro dos impostos? Quem responde pela precariedade dos serviços?
Em um momento em que a população cobra respostas, investimentos e melhoria concreta na saúde, a fala de Júlio César reforça a sensação de distanciamento entre o discurso político e a realidade de quem enfrenta filas, falta de atendimento e estrutura precária. Mais do que uma frase infeliz, a declaração escancara um problema maior: a naturalização do abandono do serviço público e a tentativa de normalizar a exclusão social como solução.
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