Vida Esportiva

Brasil disputa final por equipes do Mundial de Ginástica Artística com apostas em medalhas

Seleção busca 'perfeição' em busca de vaga olímpica, enquanto China tenta desbancar EUA

Agência O Globo - 21/10/2026
Brasil disputa final por equipes do Mundial de Ginástica Artística com apostas em medalhas
Brasil disputa final por equipes do Mundial de Ginástica Artística com apostas em medalhas - Foto: reprodução

O Brasil disputa nesta quarta-feira a primeira das cinco finais para as quais se classificou no Campeonato Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã, na Holanda. A competição por equipes está totalmente aberta, com os oito países finalistas tendo a possibilidade de garantir um lugar no pódio. Os três medalhistas estarão classificados para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. As finais serão exibidas a partir das 14h30 pelos canais Sportv, Cazé TV e Time Brasil TV.

Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira, Rebeca Andrade, Sophia Weisberg e Thais Fidélis fizeram o país avançar para a final da competição por equipes na oitava colocação, com 159.131 pontos (menos de dois décimos à frente da Grã-Bretanha). As colocações foram: 39.200 nas barras assimétricas, 40.933 na trave, 37.332 no solo e 40.266 no salto.

Além do Brasil, também disputarão a final a China (164.996), os Estados Unidos (164.529), a Rússia (163.662), a Itália (162.430), o Japão (161.630), a França (161.430) e o Canadá (160.130).

Para ficar entre os três melhores do torneio, o Brasil precisará beirar a perfeição, com notas limpas e sem quedas. Rebeca, a maior estrela do Mundial, compete apenas em dois aparelhos. Assim, as demais ginastas precisam "compensar" na matemática do grupo. A escalação das finais pode ser alterada em relação à classificação e será conhecida apenas nesta quarta-feira.

Entre os pontos a melhorar estão as apresentações na trave (Rebeca teve uma queda nas eliminatórias), no salto (pelo menos duas ginastas, principalmente Flávia, podem exibir saltos de grau de dificuldade maior) e no solo (o Brasil teve o "pior desempenho numérico").

— Fiquei satisfeita com a série de trave, a gente ainda tem mais uma sequência que pode aumentar a nota de partida. Estamos usando algumas estratégias. Não fiquei tão satisfeita com o meu solo, nem com o meu salto, mas acontece. Agora é focar no que posso fazer e não no que já passou — disse Flávia após as classificatórias.

Sophia, que participa de seu primeiro Mundial por equipes, teve problemas nas suas provas, o que impediu a ginasta de apresentar todo o seu potencial nas classificatórias. Ela sofreu duas quedas nas barras e no salto. Acertou o seu solo, mas a nota foi descartada.

Em contrapartida, Flávia brilhou na trave (14.400, terceiro lugar) e Rebeca, no salto (14.400). Elas avançaram às finais destes aparelhos. Flávia ainda estará na decisão do individual geral.

E Rebeca pode tirar do chapéu o Cheng, que não executou nas classificatórias. Com o salto, ela conquistou o ouro em Tóquio-2020, no Mundial de Kitakyushu-2021 e no Mundial de Antuérpia-2023, além de ganhar bronze por equipes em Paris-2024 e prata na mesma Olimpíada.

Já Lorrane, que contribuiu com notas importantes para o Brasil, obteve as maiores pontuações da equipe nacional nas barras assimétricas e no solo. Ela, que voltou a executar os quatro aparelhos, também disputará a final do individual geral.

Segundo o treinador Francisco Porath, o Chico, a seleção que está em Roterdã mescla atletas experientes e jovens, e "essa combinação é importante para a construção do trabalho e para a evolução do grupo".

O técnico afirma que este Mundial "faz parte do processo de construção da equipe rumo a Los Angeles", sugerindo que projeta a classificação olímpica no Mundial de 2027.

Briga pelo ouro

As favoritas ao pódio também têm pontos a melhorar após a qualificação. Exatamente 20 anos após seu primeiro e único título por equipes no feminino, as chinesas se classificaram em primeiro lugar e ameaçam encerrar os 16 anos de domínio dos EUA no cenário mundial.

A China terminou em primeiro lugar, com 164.996 pontos, mas com uma rotação fraca nas barras assimétricas e alguns erros no solo. Uma rotação impecável na trave, onde a campeã mundial Qingying Zhang obteve 15.100, garantiu a vitória na classificação.

— Precisamos apenas nos concentrar em nós mesmas e manter o foco no nosso próprio desempenho — diz Zhang, que acredita que a China "definitivamente" poderia se sair melhor na final.

Os Estados Unidos, por sua vez, tiveram alguns erros no solo e na trave, mas ainda têm chances de aumentar a pontuação na final. A estrela foi Skye Blakely, que teve apresentações consistentes, principalmente na trave.

As ginastas do Japão, mesmo sem cometer muitos erros, tinham potencial para alcançar valores mais altos em vários aparelhos. O país fez uma classificatória abaixo do esperado, com quedas na trave e erros no solo. Nenhuma equipe feminina japonesa conquistou uma medalha no Campeonato Mundial desde 1966.

— Para ganhar a medalha, a de ouro, precisamos alcançar 167 pontos — afirma a treinadora Murakami Mai, ex-atleta e bicampeã mundial de solo, que nunca ganhou uma medalha por equipes. — Elas conseguem. Eu converso com elas todos os dias. É por isso que elas conseguem se imaginar conquistando uma medalha.

A aposta numérica de Murakami é maior do que a soma das líderes chineses nas classificatórias, indicando que as seleções podem, sim, aumentar suas notas.

A Rússia, por sua vez, terminou em terceiro lugar após um sólido desempenho geral. As atletas competem sob a designação neutra World Gymnastics 2 e se destacaram principalmente nas barras assimétricas, com Alena Glotova (14.400) e Liudmila Roshchina (14.266). A equipe também impressionou no salto, totalizando 41.533 pontos, e terminou apenas 0.867 ponto atrás dos EUA.

E vale lembrar que a Rússia teve desfalque de três de suas principais ginastas: a atual campeã mundial individual geral, Angelina Melnikova, a campeã olímpica por equipes, Viktoriia Listunova, e a medalhista de prata europeia individual geral, Anna Kalmykova, que tiveram seus vistos negados para entrar na Holanda.

No segundo degrau, ao lado do Brasil, França e Canadá, estão as italianas, que vacilaram no exercício de solo. Entretanto, elas obtiveram as maiores pontuações nas barras assimétricas e na trave, onde Manila Esposito e Giulia Perotti deram um show à parte.