Vida Esportiva

Vale a pena reclamar? Levantamento relaciona longevidade e pontos dos técnicos que levam mais cartões; veja ranking

Mais indisciplinados têm maior média de jogos no cargo, e Abel Ferreira é responsável pela diferença; António Oliveira e Luis Zubeldía são os que levam menos tempo para levar cartão

Agência O Globo - 18/08/2026
Vale a pena reclamar? Levantamento relaciona longevidade e pontos dos técnicos que levam mais cartões; veja ranking
Abel Ferreira - Foto: Reprodução / Instagram

Recuperar adiantado? Um estudo realizado pela Bolavip Brasil apresentou o aproveitamento dos técnicos do futebol brasileiro nos últimos cinco anos e o relacionado com números e mídias de cartões recebidos. Os dez treinadores mais indisciplinados têm, em média, mais jogos à frente de suas equipes do que os mais disciplinados: 158 contra 142. Já o aproveitamento dos dois grupos é quase idêntico: 1,59 contra 1,57 ponto por partida para os mais “irritadinhos”.

O responsável pela vantagem no ranking de longevidade e de pontos dos indisciplinados é Abel Ferreira , do Palmeiras, técnico com mais jogos e melhor aproveitamento no período. Famoso por seu temperamento efusivo na beira do campo e suas críticas à arbitragem, o português soma 76 cartões em 332 jogos. Se excluir Abel das contas, os grupos de indisciplinados e disciplinados ficam praticamente empatados (139 x 142 em média de jogos, 1,54 x 1,57, respectivamente).

Obs: Levantamento considera jogos do Campeonato Carioca, Paulista, Gaúcho, Mineiro, Brasileiro Série A, Brasileiro Série B, Copa do Brasil e todas as competições internacionais oficiais disputadas entre 1º de janeiro de 2022 até o dia 4 de agosto de 2026.

Quando se leva em conta o total de partidas, porém, o comandado alviverde não é o mais indisciplinado, já que, em média, leva 4,37 partidas para receber um cartão. A liderança do ranking fica por conta de António Oliveira , compatriota de Abel Ferreira, que passou por Cuiabá, Coritiba, Corinthians, Sport e Remo, com um cartão a cada 3,03 jogos. Já o argentino Luis Zubeldía , ex-São Paulo e demitido na semana passada do Fluminense, fecha o pódio da lista dos indisciplinados com média de 3,33.

Embora os números não sejam suficientes para assumir que o comportamento combativo garanta mais longevidade dos técnicos, uma postura confrontadora à arbitragem costuma ser bem vista pela torcida e pode causar efeitos na decisão dos julgados.

— Acho que esse comportamento ajuda a criar em vários treinadores uma identificação com o torcedor. Como se ele fosse uma figura que defendesse as cores e a honra do clube. Existe a percepção dos profissionais de que é necessário que você tenha esse comportamento para ser plenamente aceito e pertencer ao grupo de pessoas desse clube — avaliação Rodrigo Coutinho , comentarista dos canais Sportv.

— Acho que esse tipo de comportamento do treinador (que o leva a ser punido com cartão) muitas vezes é pensado, até performático para fazer pressão a um juiz no próximo lance ou ser aceito pela torcida de uma forma mais fácil — avalia Rodrigo Coutinho , comentarista do Grupo Globo.

O outro lado

Na outra ponta da tabela, Filipe Luís , ex-Flamengo, aparece como o mais disciplinado, com apenas um cartão em 108 jogos, e desafia a lógica do treinador performático. Multicampeão pelo rubro-negro, ele é o técnico com segundo melhor aproveitamento da lista (2,01 pontos por jogo), atrás apenas de Abel Ferreira. Os dois têm rendimentos semelhantes, mas números opostos de cartões.

Na sequência da lista, aparecem Léo Condé , com passagens por Sampaio Corrêa, Vitória, Ceará e atualmente no Remo, que, em média, passa cerca de 57 jogos para levar um cartão, e Vágner Mancini , ex-América-MG, Ceará, Atlético-GO, Goiás e hoje no Red Bull Bragantino, com média de 44,2.