Vida Esportiva

Clubes da Série A batem faturamento recorde de R$ 14,9 bilhões, mas dívidas seguem em alta

Receita do futebol brasileiro cresce 33% em 2025, enquanto endividamento alcança R$ 14,3 bilhões

Agência O Globo - 19/05/2026
Clubes da Série A batem faturamento recorde de R$ 14,9 bilhões, mas dívidas seguem em alta
- Foto: Reprodução / Instagram

O Campeonato Brasileiro Série A consolidou, em 2025, sua posição como uma das maiores indústrias de entretenimento do país. De acordo com levantamento da consultoria Ernst & Young, publicado pela revista Forbes, os 20 clubes da elite nacional registraram receita recorde de R$ 14,9 bilhões , um crescimento de 33% em relação ao ano anterior.

O salto financeiro amplia uma tendência observada nos últimos anos. Considerando as últimas cinco temporadas, a arrecadação acumulada dos clubes brasileiros cresceu 73%, impulsionada principalmente por direitos de transmissão, premiações e venda de atletas.

No entanto, o avanço das receitas veio acompanhado de desafios estruturais. O financiamento líquido dos clubes também aumentou, atingindo R$ 14,3 bilhões em 2025, uma alta de 15% em relação ao ano anterior. Os especialistas apontam que esses efeitos refletem a chamada “inflação da competitividade”, marcadamente pela escalada nos investimentos em elencos e negociações.

Na prática, os clubes arrecadam mais, mas também gastam mais. Os custos operacionais — incluindo folha salarial, logística e manutenção de infraestrutura — cresceram 30% no último ano. Apesar do aumento das dívidas, o futebol brasileiro alcançou um novo patamar de valorização. Segundo o relatório “Finanças e Avaliação dos Clubes 2025”, da Sports Value, os ativos totais dos clubes brasileiros — englobando marcas, estádios e elencos — chegaram a R$ 47,4 bilhões .

O estudo também revela uma concentração cada vez maior de recursos em poucos clubes. Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense concentraram, juntos, 49% de toda a receita da Série A em 2025.

Esse cenário reforça a formação de uma elite econômica no futebol nacional, impulsionada especialmente por SAFs, premiações continentais e negociações internacionais de jogadores.

Entre os destaques fora do grupo dos maiores orçamentos, o Mirassol foi apontado como o “unicórnio” financeiro da temporada. Mesmo com apenas a 19ª receita da Série A, o clube terminou o Brasileirão na quarta colocação.

O Corinthians lidera o cenário de maior preocupação

Entre os clubes mais individualizados, o Corinthians aparece em situação especialmente delicada. O clube acumula obrigações relativas ao financiamento da Neo Química Arena, dívidas fiscais e processos trabalhistas.

De acordo com o estudo, bilheteria, camarotes e receitas de eventos do estádio estão comprometidos pelo financiamento junto à Caixa Econômica Federal.

Além do Corinthians, Atlético Mineiro, Botafogo e Fluminense concentram grande parte do passivo tributário do futebol brasileiro. No caso do Atlético-MG, o divisão líquida já equivale a 3,44 vezes a receita anual do clube, mesmo após a transformação em SAF.

Já o Botafogo ainda convive com o peso das dívidas herdadas da associação civil anterior à SAF, enquanto o Fluminense passou a enfrentar preocupação adicional com a tributação prevista na Lei 224/2025.