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Sail GP terá 27 medalhistas olímpicos na Baía de Guanabara; saiba detalhes da 'Fórmula 1 da vela'

Competição será realizada neste final de semana; Brasil tem time liderado por Martine Grael

Agência O Globo - 11/04/2026
Sail GP terá 27 medalhistas olímpicos na Baía de Guanabara; saiba detalhes da 'Fórmula 1 da vela'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Sail GP, liga global conhecida como “Fórmula 1 da vela”, chega pela primeira vez na América do Sul, no Rio de Janeiro, e colocará 27 medalhistas olímpicos em catamarãs F-50, bem pertinho do público, na Baía de Guanabara.

A competição internacional entre países, que acontece desde 2019, se realizará entre hoje e amanhã, a partir das 15 horas, com regatas que somam pontos. Ao todo serão 12 barcos. Sportv e Bandsports mostrarão ao vivo.

Entre os nomes de destaque estão Hannah Mills e Anne-Marie Rindom, ambas com três medalhas olímpicas, além das brasileiras Martine Grael e Kahena Kunze, bicampeãs olímpicas, que retornam ao local onde fizeram história em 2016, na classe 49erFX. Elas ganharam o ouro na Rio-2026 e voltam dez anos depois ao mesmo cenário.

Outro bicampeão olímpico que volta à Baía de Guanabara é o britânico Giles Scott, um dos grandes nomes da vela mundial.

O Brasil será representado pelo barco da Mubadala, empresa de investimentos do governo dos Emirados Árabes Unidos, com Martine Grael como capitã. Em 2025, a equipe terminou em penúltimo lugar, entre doze, em sua estreia no circuito mundial.

Ao lado de Martine estarão a bordo o irmão, Marco Grael, o brasileiro Mateus Isaac, o dinamarquês Ramus Køstner, e o britânico Paul Goodiso.

Marco participou da Olimpíada de 2016 (Rio) e 2020 (Tóquio), além de ter se tornado campeão pan-americano nos Jogos de Lima (2019). Mateus, um dos principais representantes do windsurf entre os brasileiros, é campeão dos Jogos Pan-Americanos de Santiago (2023) e representou o país na Olimpíada de Paris (2024), na estreia da categoria IQFoil.

Já Kahena, que inicialmente havia sido escalada como reserva da equipe brasileira, aceitou o convite para integrar o time dinamarquês.

—Velejar no Rio é sempre especial. É um lugar que faz parte da minha história e poder liderar a equipe brasileira aqui, diante da nossa torcida, torna esse momento ainda mais significativo — afirmou Martine que aposta: — Acho que vai ser um espetáculo.

Neste ano, o barco brasileiro está na 11.ª posição e terminou em sétimo na última etapa em Sydney — são 13 no total; o barco da Nova Zelândia não disputará a prova no Brasil. O time britânico lidera.

O campeonato, com a soma de pontos, começou em janeiro em Perth, foi para Auckland, na Nova Zelândia, e Sydney, de volta na Austrália. Essa será a quarta etapa da temporada. A grande final, ao término do ano, será disputada em confronto direto entre os três melhores times e com premiação de US$ 2 milhões.

— O que teremos no Rio e que não vi em nenhuma outra etapa é o nosso cenário, a Baía de Guanabara. O evento tem uma estrutura que se repete, como é na Fórmula 1. Mas, cada etapa tem o seu perfil, sua particularidade. Temos a bela paisagem do Rio de Janeiro e o público, que é apaixonado, vibra muito e sempre dá show — declara Alan Adler, CEO da IMM Esporte e Entretenimento, empresa organizadora da Sail GP. — Espero que façam muito barulho pelo barco da Martine. Quero a praia do Flamengo cheia.

Barco ‘voa’

A Sail GP reúne algumas das principais potências da vela em regatas disputadas a bordo de catamarãs F50, um monotipo que atinge velocidades três vezes superiores à do vento. São embarcações de 15 metros de comprimento capazes de chegar a 100km/h.

Esses barcos têm asa rígida, que substitui a vela tradicional, com estrutura semelhante à asa de um avião, além de uma vela frontal. A asa tem diferentes tamanhos e usada de acordo com o vento. Pode chegar a 24 metros, altura equivalente a um prédio de 7 a 8 andares.

Mas, o que chama a atenção são os foils, “asas” submersas que elevam o barco acima da água, reduzindo o atrito e permitindo que o barco “voe”. O F50 é semelhante a um avião na pista de decolagem. Quando atinge a velocidade ideal, os foils levantam o barco para fora da água.

Mas, se voar muito alto ou perder o controle, o barco pode sofrer um acidente. Por isso, durante as corridas, os atletas trabalham no limite. O risco de capotamento é constante. E como todas as equipes competem com o mesmo equipamento, a diferença é a tripulação.

As provas são curtas, de cerca de 15 minutos, intensas e realizadas próximas à costa, bem perto ao público. Serão quatro largadas hoje outras quatro amanhã, sendo que a última será disputada pelas três melhores equipes.

– A Baía de Guanabara é um campo de regata extremamente técnico. Além da influência das montanhas ao redor, como o Pão de Açúcar, que provocam rajadas e zonas de sombra de vento, o principal desafio é a grande variabilidade do vento – comenta Adler.

De acordo com o meteorologista da Sail GP, Chris Bedford, as mudanças no clima, já na véspera, dão tom imprevisível para a competição. Segundo o Clima Tempo, este sábado deverá ser de sol com chuvas passageiras. À tarde, entre 14h e 18h, o vento pode variar de 7 a 8km/h.

— Uma frente fria está passando e trará as condições de volta a níveis mais típicos da estação. Mas é Rio de Janeiro, não vai fazer frio. As temperaturas cairão para entre 20 e 25 graus, depois de terem chegado a 30 e 25 graus — explica ele, que acredita que a experiência de quem competiu nas regatas da Rio-2016 ajudam em parte. — A experiência tem muito valor, mas no fim das contas, o que importa são as condições que se encontra na largada.

De graça ou no VIP

Será possível acompanhar essa disputa, com os barcos “voando” tanto em áreas pagas e VIPs como de graça, na praia . Em ambas situações, o público estará entre 100 e 200 metros da raia de competição.

A área para o público pagante, o Race Stadium, ocupa 45 mil metros quadrados com arquibancada e clube de vela no entorno da churrascaria Assador, no Aterro do Flamengo. Na área da arquibancada haverá food trucks (pagos à parte) e atrações. Já no Vela Beach Club, será oferecido open bar e food, com cardápio assinado pela chef Morena Leite, do Capim Santo. Esta área é uma novidade na oferta global de hospitalidade da Sail GP.