Vida Esportiva

Muito além do ouro: saiba quem é Eileen Gu, campeã olímpica que trocou os EUA pela China

Bicampeã olímpica no halfpipe, atleta que trocou os EUA pela China viraliza, divide opiniões e consolida império dentro e fora da neve

Agência O Globo - 22/02/2026
Muito além do ouro: saiba quem é Eileen Gu, campeã olímpica que trocou os EUA pela China
Eileen Gu - Foto: Reprodução / Instagram

Eileen Gu confirmou o favoritismo no halfpipe do esqui estilo livre e garantiu o bicampeonato olímpico com uma nota expressiva de 94,75 pontos, liderando um pódio dominado pela China nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano-Cortina 2026. Ao seu lado, Li Fanghui ficou com a prata e Zoe Atkin levou o bronze. Entretanto, para a atleta, o ouro é apenas parte de uma trajetória notável.

Com apenas 22 anos, Eileen Gu soma agora seis medalhas olímpicas em sua carreira. Ela já havia brilhado nos Jogos de Pequim 2022, conquistando duas medalhas de ouro e uma de prata, tornando-se a primeira esquiadora acrobática a subir três vezes ao pódio em uma mesma edição dos Jogos de Inverno. Em Milão-Cortina 2026, além do título no halfpipe, conquistou ainda duas pratas no slopestyle e no Big Air.

Após uma dessas medalhas de prata, Gu voltou ao centro dos debates. Questionada se encarava o resultado como “duas medalhas de ouro perdidas”, respondeu com ironia e firmeza, destacando ser a esquiadora acrobática mais premiada da história e criticando a ideia de tratar medalhas conquistadas como fracassos. A resposta viralizou, dividiu opiniões e movimentou as redes sociais, gerando críticas ao jornalista e, em alguns casos, à postura da atleta.

Entre duas bandeiras

Nascida e criada em São Francisco, Eileen Gu iniciou sua trajetória esportiva defendendo os Estados Unidos. Em 2019, ainda adolescente, anunciou a decisão de competir pela China, país de origem de sua mãe. Ela descreveu a escolha como difícil, ressaltando o orgulho tanto pela herança chinesa quanto pela formação americana.

Desde então, sua decisão alimentou debates que vão além do esporte. Em meio à rivalidade geopolítica entre Estados Unidos e China, Gu tornou-se alvo de críticas, especialmente em setores conservadores dos EUA. Foi chamada de “traidora” por comentaristas e ex-atletas, questionada por políticos e cobrada a se posicionar sobre direitos humanos.

Segundo a própria atleta, ela enfrentou ameaças, hostilidade online e até agressão física durante os estudos na Stanford University, onde cursa física quântica. Gu afirma que aprendeu a se fortalecer diante da pressão, amadurecendo desde a estreia olímpica em Pequim 2022.

Enquanto nos Estados Unidos a recepção é dividida, na China a esportista é celebrada como símbolo de excelência e inspiração, conhecida como “princesa da neve”. Em plataformas chinesas, internautas destacam que verdadeiros campeões não são definidos apenas por medalhas de ouro, uma defesa que ganhou força mesmo quando Gu conquistou a prata.

Marca própria

Fora das pistas, Eileen Gu construiu uma presença midiática rara entre atletas de esportes de inverno. É modelo da IMG Models e mantém parcerias com marcas como Red Bull, Porsche e IWC Schaffhausen. Segundo a Forbes, foi a quarta atleta mais bem paga do mundo no último ano, com a maior parte da renda vinda de contratos publicitários.

Fluente em mandarim e com trânsito entre dois mercados gigantescos, Gu consolidou-se como um fenômeno comercial. Sua imagem estampa campanhas publicitárias na China, enquanto nos EUA permanece como uma das figuras mais reconhecidas do esqui freestyle.

O peso do ouro

Na neve, Gu mantém o foco técnico: manobras precisas, altura, controle e notas elevadas. Fora dela, admite que, por vezes, sente carregar “o peso de dois países” nos ombros.