Vida e Saúde

Enfermeira morre após problema cardíaco ser diagnosticado erroneamente como refluxo ácido; entenda

Os sintomas eram compatíveis com uma dissecção da aorta, na qual ocorre uma ruptura na parede da aorta, causando vazamento de sangue, disseram os advogados da família

Agência O Globo - 15/10/2026
Enfermeira morre após problema cardíaco ser diagnosticado erroneamente como refluxo ácido; entenda
Enfermeira morre após problema cardíaco ser diagnosticado erroneamente como refluxo ácido; entenda - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A enfermeira Paula Ivers, de 47 anos, morreu dias depois de sua condição cardíaca grave ter sido diagnosticada erroneamente como refluxo ácido. A profissional chegou ao hospital se queixando de dor no peito que aumentava e irradiava para as costas e ombros desde a noite anterior.

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Seus sintomas eram compatíveis com uma dissecção da aorta — na qual ocorre uma ruptura na parede da aorta, causando vazamento de sangue —, disseram os advogados da família. No entanto, os médicos não consideraram essa possibilidade, apesar de seu pai ter falecido de parada cardíaca aos 45 anos, segundo a alegação.

Ivers foi ao pronto-socorro do Hospital Geral de Tameside por volta das 10h30 do dia 5 de março de 2024. Ela foi atendida no pronto-socorro antes de ser transferida para o centro de emergência para exames adicionais. Ela foi diagnosticada com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e recebeu alta do hospital por volta das 15h, sem ter feito uma angiotomografia computadorizada para verificar seus vasos sanguíneos.

Ela ainda sentia dores quando foi embora, mas levava uma receita para medicamentos para indigestão. Ela desmaiou e faleceu em casa por volta das 17h do dia 8 de março de 2024.

“Paula era uma filha, irmã, amiga e, acima de tudo, mãe muito amada. Ela era adorada não só por sua família, mas também por muitos amigos, e era altamente respeitada como enfermeira. Durante quase 25 anos, Paula dedicou sua vida ao NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido). Uma das coisas mais difíceis de aceitar é que, quando precisou de ajuda do serviço ao qual tanto se dedicou, foi gravemente decepcionada", revelou a irmã de Paula, Lesley Ivers.

Após a morte da irmã, Lesley e a família, contrataram advogados especializados em negligência médica para investigar o caso e ajudar a obter respostas. O Tameside and Glossop Integrated Care NHS Foundation Trust admitiu responsabilidade e descumprimento de dever em uma ação civil movida pelo escritório de advocacia Irwin Mitchell. O Trust reconheceu que, com os cuidados adequados, era provável que Paula tivesse sobrevivido.

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O hospital admitiu que confiar em um diagnóstico de refluxo ácido sem descartar uma dissecção da aorta, não considerar essa possibilidade e não realizar os exames apropriados, além de dar alta a Paula sem um diagnóstico que justificasse sua dor, foram considerados negligência profissional.

O hospital admitiu ainda que, se uma dissecção da aorta tivesse sido considerada e as investigações apropriadas realizadas, Paula teria sido transferida para uma cirurgia de emergência e provavelmente teria sobrevivido.

"Embora tenhamos respostas, nada compensará o que aconteceu e a nossa crença de que Paula ainda estaria conosco hoje se tivesse recebido os cuidados que merecia. Nossa família nunca mais será a mesma, mas a filha de Paula crescerá sabendo o quanto Paula a amava e o quanto se orgulhava dela", disse a irmã de Paula.