Vida e Saúde

Cerveja com proteína é saudável? Nutricionistas avaliam prós e contras

Especialistas afirmam que bebida não substitui fontes naturais de proteínas nem uma alimentação equilibrada, mas podem ser opção no happy hour

Agência O Globo - 30/07/2026
Cerveja com proteína é saudável? Nutricionistas avaliam prós e contras
cerveja.

O mercado de bem-estar e bem-estar tem se ampliado a cada dia, com opções diversas que se adaptam às dietas mais saudáveis, como cafés, sobremesas e lanches. No Brasil, a Ambev lançou, nesta semana, o Spaten Pro, que não possui teor alcoólico e carrega 10 gramas de proteína por lata. Diante da novidade, muitas perguntas podem surgir na cabeça do consumidor: a cerveja ficou saudável? É uma boa opção para consumir no happy hour ?

Apesar do apelo nutricional, os especialistas alertam que a presença de proteína, por si só, não torna um produto saudável, e a avaliação deve considerar a composição completa do alimento e o seu papel dentro da alimentação diária.

Segundo a nutricionista científica Larissa Martins, da WebDiet, embora o nutriente seja importante para o organismo e a quantidade de 10 gramas presentes na bebida possa contribuir para a ingestão diária, o produto não substitui outros alimentos naturalmente ricos em proteínas nem uma refeição equilibrada.

— Hoje, vemos um número crescente de produtos enriquecidos com proteínas. Isso pode levar à ideia de que basta adicionar um nutriente para melhorar a qualidade nutricional do alimento, o que nem sempre é verdade. Nenhum produto deve ser avaliado apenas pela quantidade de proteína presente na embalagem — explicada.

Na prática, os 10 gramas de proteína presentes na cerveja equivalem, aproximadamente, à quantidade encontrada em duas fatias médias de queijo minas. A diferença, segundo Larissa, é que os alimentos naturais oferecem também vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para uma alimentação balanceada.

Além do teor proteico, a ausência de álcool é outro diferencial da bebida. Embora isso elimine um dos principais fatores associados aos impactos metabólicos da cerveja tradicional, especialistas ressaltam que versões sem álcool não devem ser confundidas com bebidas de baixo valor calórico.

A nutricionista clínica Krysna Büttner afirma que as cervejas sem álcool podem ser uma alternativa para quem aprecia o sabor da bebida, mas deseja evitar os efeitos do álcool, como desidratação, excesso de calorias e prejuízos à recuperação muscular e ao sono.

— No contexto de uma alimentação equilibrada, elas podem ser incluídas eventualmente, desde que o restante da dieta faça sentido. O erro é imaginar que, por ser zero álcool ou com proteína , o consumo pode ser liberado. Ainda é importante observar a quantidade de calorias, carboidratos e sódio presentes no produto — diz.

Para o especialista, as cervejas sem álcool são, de forma geral, opções mais específicas do que as tradicionais, pois eliminam os efeitos negativos do álcool no organismo. Ainda assim, ela destaca que não se trata de bebidas indispensáveis ​​ou necessariamente saudáveis.

— Para hidratação, água, água de coco e bebidas sem açúcar continuam sendo opções melhores. Já quando falamos em proteína, alimentos como ovos, laticínios, carnes, peixes e leguminosas oferecem muito mais qualidade nutricional do que uma cerveja enriquecida. Essas bebidas são uma alternativa para momentos de lazer, mas não substituem uma alimentação balanceada — afirma.

Para Larissa Martins, o lançamento da cerveja proteica reflete uma mudança no comportamento do consumidor e nas estratégias da indústria de alimentos, que busca conciliar conveniência, prazer e atributos nutricionais.

— Existe uma busca crescente por produtos que conciliem conveniência, prazer e atributos nutricionais. Essa tendência deve continuar avançando, mas é importante que o consumidor compreenda que nenhum alimento isolado determina a qualidade da dieta. O equilíbrio continua sendo construído pelo conjunto das escolhas alimentares — concluído.