Vida e Saúde
Adesivos contra acne funcionam mesmo? Especialistas analisam ‘estrelinhas’ que fazem sucesso entre os jovens
Pequenos “patches” são encontrados em versões transparentes ou mais coloridas, com cores e formatos, e ganham espaço na rotina de beleza da geração Z
Adesivos secativos para espinhas, também chamados de “pimple patches”, se tornaram uma grande tendência de “skincare” entre adolescentes e jovens adultos no Brasil e no exterior. O item, encontrado tanto em versões mais discretas, como as transparentes, como outras divertidas, coloridas e em formatos de estrelas, corações ou nuvens, representam uma nova relação entre a geração Z e a acne: se antes ela era escondida por maquiagem, agora é cuidada com mais atenção — e até mesmo um pouco de estilo.
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Uma pergunta que pode surgir quando se tratam dos adesivos é: eles funcionam mesmo ou são, na prática, apenas uma escolha estética? E mais: por que a nova geração está tão obcecada por eles?
Especialistas ouvidos pelo GLOBO afirmam que depende — não é qualquer adesivo que vai funcionar de fato contra a acne, e nem sempre eles serão a melhor opção de tratamento.
Os “pimple patches” agem ao criar uma barreira física que ajuda a impedir a manipulação da acne e uma posterior contaminação bacteriana secundária. Eles também permitem a oclusão da lesão ao promover um ambiente úmido que pode acelerar a resolução da inflamação.
No entanto, os adesivos não parecem desempenhar um benefício relevante para lesões mais internas ou profundas (nódulos e cistos) e nem para acne extensa. Segundo a dermatologista Juliana Sousa, o item pode ser eficaz quando a acne é pontual.
— Em uma lesão específica, ele ajuda a reduzir um pouco a inflamação e a absorver o líquido acumulado. No entanto, não se trata de um tratamento propriamente dito. Ele não atua sobre a causa principal da acne, servindo apenas para aquela lesão isolada — afirma.
A médica Samara Kouzak, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, complementa que as principais diretrizes e guidelines para tratamento de acne continuam recomendando como tratamento de primeira linha os retinoides (adapaleno/tretinoína), peróxido de benzoíla e antibióticos tópicos. Ou seja: apesar de serem aliados da cicatrização, os adesivos não vão prevenir a proliferação de mais espinhas, sendo considerados de eficácia inferior ou complementar. Além disso, os patches não funcionarão para todos os tipos de acne.
— Os adesivos não parecem desempenhar um benefício relevante para lesões mais internas ou profundas (nódulos e cistos) e nem para acne extensa — explica.
Tipos de adesivos
Os “pimple patches” não são todos iguais. É importante atentar para a fórmula dos produtos e escolher o mais adequado para seu tipo de pele.
Os mais conhecidos são os adesivos hidrocoloides que, segundo Juliana, costumam funcionar melhor para lesões que já apresentam pústula. No entanto, ele não ajuda nos comedões (cravos) nem em acnes mais profundas.
Há também modelos que contêm ativos específicos na composição, como peróxido de benzoila, ácido salicílico, enxofre e niacinamida. Outro tipo encontrado no mercado é o que possui microagulhas dissolvíveis (microneedle/dissolving patches), cuja proposta é entregar o ativo para lesões mais profundas. Para Samara, essa versão ainda carece de evidências científicas).
— No geral, as evidências científicas ainda não são muito consistentes pois faltam estudos robustos, mas é possível que o paciente encontre benefícios para aquela lesão mais superficial e para as pústulas, além de prover um conforto estético. Oriento usar de forma associada ao tratamento convencional, caso o paciente deseje tentar acelerar o processo de cicatrização de uma espinha ativa — diz a especialista.
Como usar
Juliana alerta para a escolha de opções sem fragrância e sem agentes irritantes. Além disso, deve-se observar o tamanho do adesivo, que deve ser adequado ao tamanho da lesão. Samara chama atenção para as fórmulas que se adequam a cada tipo de pele. O peróxido de benzoíla e o ácido salicílico são ótimos secativos, mas podem agregar um potencial maior de irritação da pele.
Quem possui alergia aos componentes do adesivo ou dermatite de contato ativa no local, pele sensível ou sensibilizada por uso de ácidos ou outros tratamentos, suspeita de infeção secundária no local, acne extensa ou gestação (a depender dos ativos em adesivos medicados), deve evitar o uso.
Na maioria das vezes, o fabricante recomenda o uso por 6 a 8 horas durante a noite. No caso dos hidrocoloides, a retirada deve ser feita após adquirirem uma coloração esbranquiçada.
O que os “patches” dizem sobre os jovens?
A escolha da geração Z em utilizar adesivos coloridos e nada discretos para tratar a acne mostra uma mudança importante na relação com a imperfeição.
Durante décadas, a acne foi associada à vergonha, inadequação e necessidade de ocultamento. Quando jovens passam a usar adesivos coloridos como elemento estético, há uma inversão simbólica: aquilo que era motivo de constrangimento passa a ser incorporado à identidade.
— Isso revela uma geração que tenta ressignificar vulnerabilidades em vez de apenas escondê-las — analisa a psicóloga clínica Andréia Batista. — Existe aí um movimento de maior naturalização da imperfeição e, ao mesmo tempo, uma tentativa de exercer controle narrativo sobre a própria imagem — complementa.
A geração cresceu dentro da lógica da exposição constante e de maneira diferente das gerações anteriores, que lidavam com a imagem principalmente no ambiente físico, constrói sua identidade em diálogo permanente com a internet. Por um lado, há mais discurso sobre autenticidade, diversidade e aceitação; por outro, existe uma pressão intensa por performance estética e validação social.
— Quando influenciadores mostram acne sem filtros, isso reduz o isolamento emocional e cria identificação. Mas ao mesmo tempo, mantém padrões estéticos elevados e cria formas de comparação. A acne deixa de ser apenas uma questão dermatológica e passa a ser atravessada por discursos culturais sobre beleza, pertencimento e validação — conclui.
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