Vida e Saúde

Mudança simples na rotina pode diminuir risco de depressão, aponta estudo

Trocar uma hora de televisão por atividade física ou sono reduz significativamente a probabilidade da doença

Agência O Globo - 15/02/2026
Mudança simples na rotina pode diminuir risco de depressão, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma pesquisa publicada na revista científica European Psychiatry mostra que substituir o tempo em frente à televisão por atividades físicas, deslocamentos ativos ou até mesmo sono pode reduzir expressivamente o risco de depressão na meia-idade.

Os dados indicam que trocar apenas meia hora de tempo sedentário assistindo à TV por práticas esportivas reduz o risco de depressão em 18%. Em adultos mais velhos, essa simples mudança pode diminuir o risco em quase 30%. O estudo também observou redução semelhante quando uma hora de TV foi substituída por sono.

“Esses resultados apoiam a promoção de diferentes atividades físicas nessa faixa etária. Reduzir o tempo gasto assistindo à TV pode ser uma estratégia de saúde pública especialmente eficaz para adultos de meia-idade e idosos”, afirmam os autores. “Embora não tenham sido identificados efeitos significativos em adultos jovens, estimular um estilo de vida ativo segue sendo importante, já que a atividade física precoce influencia comportamentos futuros.”

Especialistas alertam há anos que estilos de vida sedentários aumentam o risco de condições graves, como obesidade, diabetes tipo 2, câncer e até morte prematura. Agora, pesquisadores da Universidade de Groningen destacam que não é apenas o tempo total de sedentarismo que importa: atividades mentalmente passivas, como assistir à TV, podem elevar o risco de depressão devido à desregulação da dopamina, maior consumo de alimentos não saudáveis e isolamento social.

Uma revisão recente apontou que cada hora extra de televisão está associada a um aumento de 5% no risco de depressão.

“Focar no tempo dedicado à televisão, em vez do sedentarismo total, pode oferecer uma base mais específica e eficaz para intervenções”, concluem os pesquisadores.

O estudo analisou dados de 65.454 adultos holandeses, sem diagnóstico prévio de depressão, acompanhados por quatro anos no projeto Lifelines. Os participantes registraram o tempo dedicado a deslocamentos ativos, exercícios de lazer, esportes, tarefas domésticas, atividades físicas no trabalho ou escola, assistir à TV e dormir.

Os resultados revelam que, entre adultos de meia-idade, realocar uma hora de TV para outras atividades diminuiu o risco de diagnóstico de depressão maior em 20%. Aumentar esse tempo para 90 minutos resultou em uma redução de 29%. Dedicar duas horas a outras atividades, em vez de assistir à TV, reduziu o risco em 43%.

Todas as substituições do tempo de TV por atividades específicas foram associadas à redução do risco de depressão, exceto quando apenas meia hora foi realocada para tarefas domésticas. No entanto, ao transferir esse tempo para esportes, o risco caiu 18%. Passar menos tempo assistindo à TV e mais tempo se deslocando para o trabalho reduziu o risco em 8%.

Optar por praticar esportes, em vez de assistir à TV, proporcionou as maiores reduções no risco de depressão. Para adultos mais velhos, apenas a troca por esportes teve impacto estatisticamente significativo.

Segundo os pesquisadores, isso pode ser explicado pelo aspecto social dos esportes, que oferece proteção adicional contra a solidão — um importante fator de risco para depressão.

Por exemplo, dormir mais em vez de assistir à televisão reduziu significativamente as taxas de depressão em pessoas de meia-idade, possivelmente devido à necessidade de descanso diante das altas demandas do trabalho. No entanto, o mesmo efeito não foi observado em adultos mais velhos.