Vida e Saúde
Perda de peso: Endocrinologista testa nova abordagem para emagrecimento nos EUA; 'Nunca havia sido feito antes'
Iniciativa introduz consultas específicas, dedicadas exclusivamente a esse tema, em vez de tentar encaixá-lo em atendimentos tradicionais
Durante anos, a endocrinologista Leigh Perreault conviveu com um incômodo crescente ao observar como o controle do peso era tratado na prática médica cotidiana. Em muitos casos, pacientes saíam do consultório com a orientação genérica de “comer melhor e se exercitar mais”, mesmo quando estava claro que isso não bastava.
‘Superidosos’:
Agência reguladora dos EUA
“Teve um momento em que coloquei o rosto entre as mãos e pensei: ‘O que estou fazendo?’ Eu prescrevia uma série de medicamentos para o diabetes dos pacientes, para a pressão arterial, para os lipídios e para todas essas outras condições”, relata Perreault, professora de endocrinologia, metabolismo e diabetes da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado Anschutz, que atende em Westminster ao lado de médicos de atenção primária.
Ela percebeu que muitos desses remédios tratavam os sintomas, mas não a causa principal. “Nenhuma dessas pessoas quer estar usando esses medicamentos, e eu pensei que, se eu conseguisse ajudá-las com o peso, muitos desses problemas de saúde provavelmente desapareceriam”, afirma.
Dessa constatação nasceu uma nova estratégia que, pouco tempo depois, passaria a redesenhar a forma como o cuidado com o peso pode funcionar dentro da atenção primária.
Tom Brady, Serena Williams e Simone Biles:
O sistema PATHWEIGH
Perreault e seus colegas criaram o PATHWEIGH, um processo estruturado que ajuda pacientes e equipes de atenção primária a focarem diretamente no manejo do peso. O programa introduz consultas específicas, dedicadas exclusivamente a esse tema, em vez de tentar encaixá-lo em atendimentos tradicionais.
Com financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), o PATHWEIGH foi implementado nas 56 clínicas de atenção primária do sistema UCHealth, no Colorado, para avaliar seu impacto. O projeto-piloto envolveu 274.182 pacientes, tornando-se um dos maiores estudos randomizados já realizados nessa área.
Resultados publicados pela equipe na revista Nature Medicine mostraram que o programa reduziu o ganho de peso populacional em 0,58 quilo ao longo de 18 meses e mudou a tendência geral de ganho contínuo para perda de peso — um desfecho com implicações relevantes para a saúde pública.
0,5 kg por semana:
Além disso, o PATHWEIGH aumentou em 23% a probabilidade de os pacientes receberem algum tipo de cuidado relacionado ao peso.
“Com o PATHWEIGH, mostramos que eliminamos completamente o ganho de peso populacional em toda a nossa atenção primária, algo que nunca havia sido feito antes”, diz Perreault.
Diante dos resultados, especialistas em obesidade passaram a apontar o programa como um possível novo padrão de cuidado, e diversos sistemas de saúde nos Estados Unidos avaliam como adotá-lo.
Um caminho para o cuidado com o peso
Perreault descreve o PATHWEIGH como uma forma de alinhar pacientes e profissionais em torno de um plano comum.
“Se você pensa em medicamentos, cirurgia ou programas para emagrecimento, todos eles são veículos para a perda de peso”, explica. “Nós construímos uma estrada onde todos esses veículos podem trafegar, de modo que exista de fato um processo para as pessoas receberem cuidado relacionado ao peso, se assim desejarem.”
O processo começou de maneira simples: cartazes nas clínicas informavam que o paciente podia solicitar, na recepção, uma consulta focada exclusivamente no controle do peso. Esse pedido ativava automaticamente um fluxo de trabalho no prontuário eletrônico.
Os pacientes recebiam um questionário e, após preenchê-lo, as respostas eram incorporadas diretamente às anotações do profissional de saúde. Assim, as consultas deixavam de gastar tempo com informações básicas e passavam a se concentrar em decisões práticas.
“Isso tornou todo o processo realmente eficiente e, na prática, transformou nosso modelo de anotação em um cardápio de tudo o que poderíamos fazer”, diz Perreault. “Foi extremamente eficiente em termos de tempo e consolidou tudo o que poderíamos oferecer a um paciente em uma única interface.”
Menos barreiras e conversas constrangedoras
Dados coletados ao longo de 18 meses mostraram que cerca de um em cada quatro pacientes elegíveis recebeu algum tipo de cuidado relacionado ao peso pelo menos uma vez durante o estudo. A maior parte envolveu aconselhamento sobre estilo de vida, mas as prescrições de medicamentos antiobesidade dobraram durante a intervenção.
Ao contrário de programas padronizados, o PATHWEIGH permitiu que o tratamento fosse adaptado a cada paciente e ajudou a reduzir o desconforto que costuma cercar conversas sobre peso no ambiente médico.
“A maioria das pessoas que quer ou precisa de cuidado relacionado ao peso nunca o recebe. Ou elas não pedem, ou os profissionais não abordam o assunto. E, quando abordam, o paciente normalmente ouve para ir para casa, comer menos e se exercitar mais — e nada acontece”, afirma Perreault. “A pessoa fica frustrada e aprende a não pedir ajuda novamente, porque é constrangedor e não resolve. Isso criou um espaço seguro para dizer: ‘Se você quiser assistência médica para o seu peso, nós agora temos um processo para isso’”.
Especialistas estimam que o aumento das taxas de obesidade seja impulsionado por um ganho médio de cerca de 0,5 quilo por pessoa ao ano. Interromper essa progressão e transformá-la em uma perda de peso, ainda que modesta, pode ter impacto significativo na contenção da epidemia de obesidade.
“Embora não seja uma diferença grande no nível individual, é algo enorme do ponto de vista populacional e da saúde pública”, diz Perreault.
Os pesquisadores também observaram que pacientes que receberam cuidado estruturado por meio do PATHWEIGH apresentaram maior perda de peso. Mesmo aqueles que não passaram por intervenções diretas tiveram menor ganho de peso do que o esperado.
Expansão além do Colorado
Segundo Perreault, o sucesso do programa abriu caminho para uma adoção mais ampla. Há planos para expandir o PATHWEIGH para além do Colorado. A Obesity Association, que está desenvolvendo seus primeiros padrões de cuidado para obesidade, destaca o programa como um modelo recomendado.
Cinco sistemas de saúde, distribuídos por sete estados americanos, também avaliam a adoção do PATHWEIGH, enquanto seus criadores trabalham no licenciamento do modelo.
“Tenho muito orgulho de o PATHWEIGH ter nascido, sido desenvolvido e testado aqui no Colorado”, diz Perreault. “Este é o roteiro que nos leva adiante”.
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