Variedades
Armie Hammer fala sobre cancelamento em Hollywood: 'Criei esses problemas'
Ator relembrou acusações, afastamento da indústria e tentativa de retomar a carreira em filmes de baixo orçamento
Após alguns anos afastado dos holofotes, o ator Armie Hammer falou sobre sua vida, as polêmicas que marcaram sua trajetória recente e o cancelamento em Hollywood. “Eu criei esses problemas para mim mesmo”, afirmou, em entrevista à revista The Hollywood Reporter.
Hammer interpretou os gêmeos Winklevoss em A Rede Social e atuou em O Cavaleiro Solitário, mas ganhou maior projeção com Me Chame Pelo Seu Nome, filme de 2017 no qual contracenou com Timothée Chalamet.
Ao comentar sua fase de maior exposição, o ator disse que se via como um “consumidor”. “Bebidas, mulheres, validação, experiências — eu só queria consumir. Tudo. Mais, mais e mais”, declarou.
Em 2021, Hammer viu a carreira desmoronar após mensagens atribuídas a ele circularem na internet com descrições de fantasias sexuais explícitas e referências a canibalismo. Uma mulher com quem ele manteve um caso extraconjugal de quatro anos — enquanto ainda era casado com a ex-esposa, Elizabeth Chambers — o acusou de estupro. Outras duas mulheres fizeram denúncias semelhantes. O caso, no entanto, não resultou em acusação formal pela Justiça norte-americana, e o ator negou as acusações.
“Isso não aconteceu comigo por acaso. Eu não fiz o que as pessoas estão dizendo que eu fiz. Mas eu trouxe pessoas muito perigosas e inseguras para a minha vida, irritei algumas pessoas — e aqui estamos nós”, afirmou.
Ao repórter Seth Abramovitch, Hammer descreveu o caos provocado pelo escândalo, incluindo a divulgação de informações pessoais, números de telefone e o cerco virtual. Sem apontar um culpado, ele reconheceu que sua imagem pública ainda é um obstáculo difícil de superar.
Após a repercussão, agentes e assessor de imprensa romperam com o ator. Segundo Hammer, amigos que lhe enviaram mensagens privadas de apoio também foram alvo de ataques na internet e tiveram dados pessoais divulgados.
“Houve um período em que eu lia obsessivamente o que as pessoas estavam dizendo”, contou. “Percebi que eu podia simplesmente me concentrar em mim mesmo, nos meus filhos, em me manter saudável e em crescer como pessoa.”
Com o tempo, em meio a leituras de autoajuda e ao próprio desespero, Hammer disse ter concluído que a aceitação era a única estratégia possível. “Aquilo a que você resiste persiste. Aquilo que você aceita se transforma”, afirmou, ao recitar um mantra.
O retorno aos cinemas
Em 2024, Hammer voltou para Los Angeles, depois de passar um período em Veneza e nas Ilhas Cayman com o pai. Cerca de um ano e meio depois, recebeu um e-mail do cineasta alemão Uwe Boll, que o convidava para um filme. “Tenho quase certeza de que chorei”, disse. “Eu teria feito até um comercial de ração para gatos. Eu só queria trabalhar de novo.”
O filme se chama Citizen Vigilante e, segundo a reportagem, tem enfrentado dificuldades de distribuição por causa de conteúdo considerado racista. Desde então, Hammer participou de mais três produções, todas de baixo orçamento.
Hoje, sua estrutura profissional é bem diferente da que mantinha antes das polêmicas: sem agentes, empresário ou assessor de imprensa pessoal. Quem deseja contratar o ator precisa acessar o IMDb Pro e localizar seu advogado. “Ultimamente, no primeiro dia de filmagem, sempre dizem: ‘Não acreditamos que conseguimos que você fizesse isso’. E eu respondo: ‘Minha agenda estava bem livre’.”
Ao refletir sobre a vida antes da controvérsia, Hammer afirmou: “Eu me lembro do estado emocional e mental em que eu estava antes de tudo acontecer. Pessoas saudáveis não agem como eu agia”.
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