Variedades
Álbum da Copa pode estimular leitura e conversas em família, diz Clara Haddad
Escritora e biblioterapeuta Clara Haddad sugere caminhos para que pais e mães aproveitem o interesse das crianças pela Copa do Mundo para ampliar repertórios, estimular a curiosidade e fortalecer vínculos familiares
Em clima de Copa do Mundo, colecionar o álbum oficial do torneio virou uma das brincadeiras favoritas de muitas crianças. Junto com as figurinhas, surgem também perguntas que atravessam a casa: "Onde fica esse país?", "Por que essa seleção joga assim?", "Como vivem as crianças de lá?". Para a escritora, narradora de histórias e biblioterapeuta luso-brasileira Clara Haddad, esse interesse pode ir muito além do futebol e se transformar em uma oportunidade de aprendizado, descoberta e convivência em família.
Segundo a autora, quando pais e responsáveis acolhem a curiosidade despertada pela competição, abrem espaço para conversas que ajudam as crianças a conhecer diferentes culturas, ampliar repertórios e desenvolver o gosto pela leitura.
"Quando uma criança se interessa por um país depois de ver sua seleção jogar, abre-se uma porta para conhecer também suas histórias, lendas, costumes e cultura. A Copa pode ser o começo de muitas viagens — e algumas delas acontecem por meio dos livros", afirma Clara Haddad.
Para a autora, o futebol pode ser apenas o ponto de partida. Quando o jogo encontra histórias, contos e leituras compartilhadas, a experiência deixa de ser apenas entretenimento e passa a estimular a imaginação, fortalecer vínculos afetivos e ampliar a compreensão sobre o mundo.
Entre as obras recomendadas por Clara está Uma História de Futebol, de José Roberto Torero e Cássio Loredano, publicado pela Companhia de Letrinhas. O livro acompanha dois amigos apaixonados pelo esporte e aborda temas como amizade, sonhos e superação.
Outra indicação é A Menina que Amava Futebol, de Ilan Brenman, publicado pela Moderna. A obra apresenta uma menina determinada a conquistar seu espaço em campo e promove reflexões sobre inclusão, igualdade de oportunidades e respeito às diferenças.
Clara também recomenda A Contadora de Histórias e Outros Contos de Encantar, publicado pela Telos Editora. De sua autoria, o livro reúne narrativas inspiradas na tradição oral e em diferentes culturas, convidando leitores a viajar por histórias que atravessam tempos, lugares e saberes.
Para a escritora, a leitura pode funcionar como uma continuação natural do espírito da Copa do Mundo.
"Quando assistimos a uma competição internacional, percebemos a diversidade do mundo. Os contos fazem algo parecido: nos levam a outros lugares e culturas, mas também revelam aquilo que temos em comum. Em qualquer parte do planeta, as histórias falam de amizade, coragem, desafios, sonhos e esperança", destaca.
Ao falar da relação entre futebol e literatura, Clara recorda um livro que marcou sua infância: O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho. O clássico da literatura infantojuvenil brasileira, cuja trama gira em torno do universo das figurinhas de futebol, permanece até hoje em sua memória afetiva.
"Guardo até hoje o exemplar que herdei dos meus irmãos. Quando olho para ele, não lembro apenas da história, mas também das conversas em família, das tardes de leitura e do encantamento que senti ao acompanhar aquela aventura pela primeira vez", conta.
Mais do que acompanhar partidas e torcer por seleções, Clara acredita que a Copa pode ser uma oportunidade para fortalecer o diálogo dentro de casa e incentivar novas descobertas.
"No fim das contas, a verdadeira vitória não está no placar. Ela está no tempo compartilhado, nas histórias lidas depois do jogo, nas perguntas que surgem durante a conversa e na chance de transformar um grande evento esportivo em uma experiência de afeto, repertório e conexão entre pais e filhos", conclui.
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